– Quem sou?
Não
importa muito <quem sou>. Serei uma entre milhões, nem melhor nem pior. A
diferença? Talvez <porque me importo>. Importo-me com a
humanidade e com a indiferença; importo-me com a irresponsabilidade e o
mediatismo. Importo-me.
E quem
é afinal a Leonor Lima? Resumindo: sou eu que já
fui chamada de Maufeitio, Furacão, La Capitaine ou mesmo Queen. Mas, seja qual
for o sentido dado a qualquer destes nomes uma garantia eu dou – todas as
minhas atitudes forem sempre para salvaguarda e segurança de quem me segue nas
minhas aventuras.
Porquê?
<<Era uma vez...
Uma profissional de sucesso, deslocando-se
entre as suas empresas com a mesma genica que o alfa-romeo que conduzia...
Umas dores de cabeça mais irritantes quando, na verdade, era preciso estar no máximo da concentração para responder aos grandes desafios que todos os dias lhe eram lançados.
O desmoronar do mundo - apocalipso total pelo diagnostico... lesão cerebral irreversível
probabilidades? muito poucas; viver a termo certo! 3 anos, contando o tempo já passado e impossível de quantificar.
Umas dores de cabeça mais irritantes quando, na verdade, era preciso estar no máximo da concentração para responder aos grandes desafios que todos os dias lhe eram lançados.
O desmoronar do mundo - apocalipso total pelo diagnostico... lesão cerebral irreversível
probabilidades? muito poucas; viver a termo certo! 3 anos, contando o tempo já passado e impossível de quantificar.
Resultado? Decisões: sacrifício dos caracóis
loiros – cirurgia, quimioterapia, radioterapia?
NUNCA - - todo o ser humano tem o direito de escolher
morrer com dignidade.
E assim
Nasceu uma nova voluntária internacional
para quem a vida é para ser vivida
até ao último suspiro
com garra
determinação,
dividindo com os outros o que ainda lhe resta.
E essa divisão deu multiplicação...
os meses passaram, foi ficando esquecido o veredicto de morte
e os meses continuaram a passar
de novo a multiplicação
novos valores, novas recompensas
os meses somaram anos
e um novo diagnostico
...surpreendente...
O espectro da morte tinha sido afastado
não havia mais susto, não havia mais contagem decrescente
a morte há-de vir, sim
quando?
nem os deuses o sabem
mas continuam a proteger
a audaz e desafiadora
mulher que um dia disse NÃO a baixar os braços
para quem a vida é para ser vivida
até ao último suspiro
com garra
determinação,
dividindo com os outros o que ainda lhe resta.
E essa divisão deu multiplicação...
os meses passaram, foi ficando esquecido o veredicto de morte
e os meses continuaram a passar
de novo a multiplicação
novos valores, novas recompensas
os meses somaram anos
e um novo diagnostico
...surpreendente...
O espectro da morte tinha sido afastado
não havia mais susto, não havia mais contagem decrescente
a morte há-de vir, sim
quando?
nem os deuses o sabem
mas continuam a proteger
a audaz e desafiadora
mulher que um dia disse NÃO a baixar os braços
Parece que foi ontem
- Anos 90.
...começou assim: . O Marrocos profundo vivia ainda talvez um século de diferença. A
população extremamente hospitaleira era também extremamente carenciada e nasceu
logo a promessa de voltarmos… voltarmos sempre.
E a
tal EU, herdeira de sangue aventureiro de avô oficial da Marinha de Sua
Majestade, deixou crescer a vontade de <ir cada vez mais longe> ajudar
quem tanto precisa. Depois… bem, depois
nascem as amizades ao longo dos percursos, a recompensa de todo o esforço
traduzido por abraços de ternura e os sorrisos das crianças.
E
acontece querer sempre voltar, fazer mais e mais, deixar de ter umbigo e poder
dizer que teríamos um mundo melhor se cada um de nós se preocupasse em ajudar a
salvar uma pessoa.
Há momentos em que sabe bem abrir o baú das
memórias e reviver coisas lindas tentando acreditar que foram verdadeiras.
Quase apetece deixar rolar uma lágrima silenciosa…
Mas
porque SÓ SE VIVE UMA VEZ digo:
arrepender-me do que faço nunca, só me arrependerei do que poderia ter feito e
não fiz
Haverá sempre um
tempo para AMAR e um para LUTAR.
para podermos sair VENCEDORES
para podermos sair VENCEDORES
Até ao dia
inevitável
Em que a MORTE nos
vencerá
Entretanto, dias monótonos, compridos. Reviver o passado, transferi-lo para eternidade num monte de linhas cujo fim não é mais que procurar amordaçar a solidão com o eco das palavras. Nasce um Blog, o meu Blog,da ML Maufeitio
DIARIOS DE
BORDO <<SÓ POR MARROCOS >>
O PASSADO EM
POUCAS LINHAS
Dificuldades que consideramos intransponíveis por
razões de segurança, por diversas vezes, impediram-nos de ir para além de
Marrocos.
Há quase duas décadas que percorremos o Sahara.
Fizemos amigos, partilhamos alegrias e levámos bens essenciais.
Ksar El Khemilia esteve frequentemente nas nossas
rotas.
As famílias nómadas precisam de nós, precisam dos bens
que lhes levamos e precisam particularmente de saber que a sua existência é
conhecida.
Sobrevivem num mar de areia --- conseguiremos perceber
como resistem ao sol tórrido do dia e às noites gélidas do deserto? Onde
conseguem obter água ou uns galhos secos para acender lume? Onde encontram
comida – enfim! Como sobrevivem?
Não há os «media» a filmar, não sofreram nenhum
terramoto ou cataclismo, ninguém fala deles… mas existem e despertam
consciências para as injustiças das sociedades de consumo.
Seguem-se algumas narrativas de acções humanitárias
sob o lema «vamos onde os outros não vão»
FIRST
OFF ROAD Morocco 1995 - MORTE NA ESTRADA
![]() |
| 11 viaturas; 23 participantes |
Fizeram-se
muitas fotografias, escreveram-se alguns «apontamentos de viagem» mas a história
completa como se passou, por tão violenta e assustadora, durante muito tempo
não se encontrou coragem para a escrever.
Mas
o tempo atenua tudo – o medo – a angústia - até a raiva e a impotência.
Passados anos e muitas aventuras vividas
no «fio da navalha» já é quase fácil reviver o passado para o descrever com a
realidade possível aquele «dia mais longo» que para sempre perdurará na memória
de todos os participantes na “First Off Road Morocco”.
O
deslumbramento dos primeiros dias, atravessar campos cobertos de neve seguidos
de belos prados verdes cobertos de flores e chegar à imensidão do deserto com
as suas dunas cor-de-rosa. Toda a descoberta de um continente que nada tem a
ver com a Europa actual, no tempo, na religião, na cultura, na hospitalidade e na
gastronomia.
Facilidades
de costumes menos rígidos aliados à curiosidade de descobrir e experimentar
sensações novas, mais fortes e proibidas, têm mostrado a apetência para a
aquisição e uso de «drogas leves» especialmente pelos mais novos.
E
assim aconteceu…
Manhã
cedo de uma qualquer sexta-feira do mês de Abril, vamos deixar para trás as
areias do deserto, o lago salgado e rumar a Rissani, ao mercado berbere, com
destino a Zagora. A coluna de 11 viaturas rola com facilidade depois de algumas
compras e de um almoço rápido.
Não
havendo ao tempo as facilidades das caixas ATM de hoje, há necessidade de
chegar ao Banco a Zagora antes das 17 horas para levantar dinheiro para o
fim-de-semana. Temos tempo mais que suficiente pois vamos aproveitar a planura
da estrada e rolar com cadência.
Na
caravana seguem duas viaturas a gasolina com menor autonomia que as de gasóleo
mas duas outras estão equipadas com jerricans exteriores para suprirem aquelas
necessidades. Uma paragem rápida fica o Patrol da mecânica e os Korandos a
abastecer o Samurai e o Niva.
O ‘chefe’ dá instruções para que a caravana siga devagar até estarem todos de
novo reunidos.
Nestas
expedições é norma seguir o ‘chefe’ à frente e a ML a fechar para que ninguém
se perca, o que por vezes se torna extremamente difícil especialmente em
cruzamentos com semáforos e dentro de povoações. Nunca foi conseguido consciencializar os condutores para se manterem
colados na cauda uns dos outros e só com esforços titânicos por vezes se
consegue manter o mínimo de disciplina.
Aqui,
era uma planura imensa serpenteando pelo meio de pequenos montes que aqui e
acolá nos escondiam uns dos outros mas onde era fácil rolar com cadência.
Mau… e os outros quatro??
ML
conferencia com a sua companheira Júlia. Conclusão: Vamos esperar que estejam
todos à nossa frente --- não andamos nem mais um metro!
… E
o tempo passa devagar, segundos maiores que minutos e uns poucos destes que
parecem eternidades… E o tempo continua a passar… e nada… e passa e passa!
Júlia!
Vem lá longe um com as luzes todas… o que quer dizer que há problemas! É quem??
Está ainda longe mas não há dúvida traz pirilampo! Há merda!
É o
Patrol com o João Machado está aí quase… João! Os outros?
O
João pálido e consternado mas tentando aparentar controle dispara ---- Leonor
vai apanhar o Amândio, temos UMA MORTA NA ESTRADA.
Os
nossos estão todos bem. Um dos Korandos matou uma mulher que se atravessou –
não há dúvida de que está morta --- é horrível!
Eu vou voltar para junto dos outros. Por amor de Deus vai depressa
buscar o Amândio – não sabemos o que fazer!
Certo
João, volta e mantenham-se juntos e tranquilos, eu vou apanhar o Amândio e
vamos já ter convosco.
<<Júlia
(coisa que nunca tinhas feito nesta viagem) põe o cinto de segurança – vamos
planar baixo. >>
…Ora
bem, Júlia. Temos uma emergência que não está dentro das previstas, por isso
vamos lá a estabelecer linhas de conduta.
É
assim:
Vamos
fazer parar todos os jipes.
Logo
que apanharmos o ‘chefe’, que já vai bem longe pelo tempo a que passou por nós,
não vai haver tempo para explicações, volto para trás para o acidente e no
caminho ponho-o a par da situação.
Tu
saltas para o UMM com o ‘PP’ (diminutivo de Pedro Pombo), contas-lhe o que se
passa, voltem para trás, reúnam todos e parem junto à estrada.
Juntos
vão aguardar até ao sol-posto e se nós não aparecermos seguem para o Parque de
Campismo de Zagora que será o local de encontro até amanhã ao alvorecer.
Não
sabemos o que nos espera por isso lembra-te que a partir da manhã ficam nas
vossas mãos o destino de cinco jipes e dez pessoas. Algo de muito mau se terá
passado se não estivermos juntos quando raiar o sábado, por isso, nada de
hesitações, logo cedo seguem TODOS para a Embaixada de Portugal em Rabat para
pedirem ajuda. Certo? Certo!
… E
bem! Estes gajos andaram! Olha ali vão as Amélias! Júlia, vou abrandar ao lado
do Samurai, grita-lhes EMERGENCIA – ENCOSTEM – PAREM E ESPEREM. E a
Júlia assim fez. Lá vamos de novo a dar tudo o que o Terrano tem!(e tinha tão
pouco – era dos primeiros modelos ainda com pouca cilindrada e sem
turbo/intercooler)
Poça,
isto é que foi abrir! Do chefe nem pó!
Mais
um, mais outro e depois outro, todos foram encostando e parando a aguardar sem
saberem bem o quê.
O
tal pó lá ao longe!!! É o UMM mas não vê os nossos sinais – agora perdemo-lo no
serpentear da estrada – aqui não nos vê mesmo! E os outros lá sozinhos! Bolas!
Isto não estava no programa!
Lá
vai o UMM – é pá não tenho mais nada para fazer sinais e eles não nos vêm mesmo!
Esta droga não dá mais! E o tempo passa… tal como quando estávamos paradas! A
imensidão da planície parecia aliar-se ao comprimento dos segundos.
Finalmente!
Viram-nos! Olha os stops… Já ligaram os intermitentes… Vão parar! Vamos, falta
pouco! Óptimo, o guia está à frente do chefe e pode ajudar também.
Falta
pouco para o princípio de um pesadelo ainda maior
E
cumpriu-se o plano. Inteirou-se o chefe e o PP da situação; o guia
prontifica-se para seguir para Zagora para alertar a polícia.
A
Júlia salta para o UMM, o Amândio vem para o Terrano e aí estamos na estrada de
regresso à estrada de Rissani.
O
chefe conduz a ML tem os sentidos ‘todos acesos’. Atenção… estão lá adiante…
pára! Está um corpo no meio da estrada! É horrível!
O
Amândio leva o Terrano para fora da estrada e, muito lentamente, ultrapassa o
local onde se deu o acidente e vai juntar-se aos quatro jipes parados na berma.
Inexplicável!
Como estão os quatro parados antes do corpo? Simples, o João Machado explica:
Vinham
todos a andar bem, havia umas pessoas na berma da estrada, passou o primeiro
Korando e uma camponesa com um molho de verdura às costas, corre a atravessar a
estrada a olhar para o carro que tinha passado e sem ver o segundo Korando.
Tempos
passados compreendeu-se como é que um condutor se desvia de um peão para o lado
para onde ele corre. Era fatal apanhá-lo, primeiro com o guarda-lamas e
retrovisor e depois enrolando-o debaixo da carroçaria, fazendo aquelas medonhas
fracturas expostas e imprimindo no cadáver tal desfiguração que só será
possível ser imaginada por um qualquer Frankenstein.
Não
estivesse o condutor debaixo do efeito «daquela coisa que faz rir», que a ele
agora fazia chorar mas que ao companheiro ainda fazia rir e o passar por detrás
do peão teria evitado esta situação dramática para todos os companheiros. Mas
Marrocos faz disto à juventude!!
Depois
do embate o Korando empreende a fuga e é o João Machado que o ultrapassa e o
faz voltar para assumir a situação.
Todos em caravana invertem a marcha mas a pressão é tanta que nem vêm o
erro de colocarem os carros antes do acidente, local onde os fomos encontrar.
À
beira da estrada estarão nesta altura uns 20 ou 30 ‘mouros’, todos de
‘djelabas’ iguais rodeando um outro que
se via logo ser de condição superior, que falava francês e que muito útil nos
foi como interlocutor e testemunha.
O
‘chefe’ tranquilamente acercou-se indagando das providências que já tinham sido
tomadas e informando que o guia que nos acompanhava já tinha seguido para a
Gendarmerie de Zagora a pedir ajuda. A Jurisdição era de Rissani e já tinha sido
dado conhecimento às autoridades e pedida uma ambulância. Havia que aguardar… E
os ‘mouros’ têm todo o tempo do mundo! Os dias são todos iguais do nascer ao
pôr do sol… para além de umas preces a Allah nas horas certas, nada mais para
os fazer mover.
E o
tempo lá continua a passar, devagar, devagarinho, quase parado, mas as sombras
do fim do dia já começam a estender-se. Vão chegando cada vez mais ‘mouros’,
serão 50 ou 60. Assustadores, todos iguais, nas tais sombras do fim do dia e o
‘chefe’ no meio deles, tranquilo, dialogando. Consulta o tal de condição
superior da possibilidade de mover os carros e pô-los em concordância com o
acidente e de ir um deles embora para dar noticias nossas ao resto do grupo.
O «savoir
faire» do ‘chefe’ resulta. O Terrano da ML é colocado antes do acidente para que todos
compreendam que ninguém vai fugir. Os outros passam por fora da estrada e vão
parar logo após o corpo. Com um suspiro
a ML vê o Niva com o Filipão partir para junto do grupo saindo da «cena
de terror».
As
sombras são mais longas, é sol-posto. Virada para Meca toda aquela multidão faz
as sua orações. O que deveria parecer tranquilo e reconfortante é simplesmente
tenebroso.
Pela
mente do ‘chefe’ já tinha passado a interrogação – e se um destes gajos decide
dar-me a primeira navalhada? Virá outro, outro, outro, são tantos e todos
iguais… no fim, não terá sido ninguém! Como irá ser? Vou cair às mãos deles? E
a polícia não vem, e o guia terá feito alguma coisa.
O
pouco trânsito faz-se por fora da estrada; agora é um camião que se desvia, ao
passar junto ao pessoal dos jipes estacionados faz com a mão um significativo
gesto de fugir seguido de outro de cortar a cabeça. Agora já ninguém ri! O
resto «daquilo que faz rir» ficou debaixo de uma pedra na berma da fatídica
estrada.
Umas
luzes vindas de Rissani – é finalmente a polícia. O ‘chefe’ respira, lá se
safou da prevista navalhada. É o graduado com quem esteve conversando na
povoação quando foi feito o abastecimento dos gasolinas. Simpático,
profissional e cooperante. Foi uma das nossas objectivas que fotografou o corpo
e foi suficiente a palavra do ‘chefe’ de que, na manhã seguinte, faria entrega
das revelações na Gendarmerie de Zagora.
Mas
o pesadelo ainda não terminou, chegou a ambulância vinda de Zagora, (uma
Renault 4L) levantou o corpo e fez uma pira fúnebre no local de onde o retirou.
Na berma da estrada outra fogueira (de quê nunca conseguiremos saber) A
multidão agora menos silenciosa, as fogueiras ardendo na noite de breu, um
arrepio, não só do frio da noite como do adejar da morte que nos tinha roçado.
E a
lição… Um jovem, quase um garoto, aproxima-se do Terrano com ar grave. Com
espanto a ML escuta o que ele lhe diz em francês «senhora, não esteja triste, vocês não tiveram culpa, ELA foi chamada,
tinha que ir, ela está com Allah».
Finalmente
estamos de novo na estrada e vamos reunir-nos aos nossos companheiros.
Espanto!! Ainda estão no sítio onde deixáramos o primeiro, encolhidos uns
contra os outros como passarinhos enjeitados. O guia Larby que, confessou, num
primeiro momento decidira fugir e deixar-nos à nossa sorte, tomara consciência
e lá tinha regressado até junto de grupo depois de uma passagem pela
Gendarmerie de Zagora.
Em
todas as situações dramáticas parece haver sempre uma pausa para ajudar a
suportar a tensão. A pausa deu-se. O Larby ao acercar-se do grupo foi logo
interrogado sobre o ponto de situação. Não podendo dar informações concretas
porque não tinha estado no local do acidente, mostra-se contudo muito
satisfeito exibindo uma carta do ‘seu primo’ Chefe da Policia de Zagora,
dirigida ao homólogo de Rissani, em árabe, pedindo a sua colaboração na
resolução do assunto.
A
fleuma não britânica mas portuense do nosso companheiro Roças deu para comentar
«que sim, que estava muito bem escrita… não tinha erros», motivo de risos (bem
amarelos) de todos os presentes.
Vá
cambada, vamos seguir para o oásis de Zagora no Vale do Draa e, como estamos
todos juntos, já não é preciso parque de campismo --- vamos desfrutar de um
belo hotel destes ‘mouros’ que até já sabem o que é civismo.
Houve
quem desfrutasse menos. Para quebrar o stress as garrafas que estavam guardadas
no cofre do UMM foram descobertas pelo PP e …consumidas…Ao chegar ao Hotel,
alguns sem saberem como, houve quem ficasse a dormir no Patrol, quem fosse para
o quarto e quem fosse para a tenda berbere onde a chuva torrencial dessa noite
entrou a rodos «mas não perturbou» quem a recebeu em cheio. Tal era!!
A
NOSSA MEMÓRIA É ASSIM – O TEMPO DEIXA NARRAR A PERDA DE UMA VIDA JÁ SEM EMOÇÃO.
MAS
A LIÇÃO FICOU PARA TODO O SEMPRE
De resto foi inequivocamente uma viagem < de todos os sentidos >
imagens e cheiros vão durar para sempre nas memórias
experiências e sensações
medos e desafios...
De resto foi inequivocamente uma viagem < de todos os sentidos >
imagens e cheiros vão durar para sempre nas memórias
experiências e sensações
medos e desafios...

LISBOA /GUINÉ-BISSAU/PORTO - 2ª Expedição (1996)
PERDIDOS NO DESERTO! O P.P.(Pedro Pombo co-piloto do UMM e do chefe)
e o GPS dizem que não!
Areia, dunas, mais areia,
mais dunas e assim se fez noite (bendita noite, sem lua que hoje achou melhor
não aparecer).
O Rui magoou-se num pé, o
terreno é mau. VAMOS DORMIR. Há quem não monte a tenda nem jante. Como vamos
conseguir sair daqui?
E MAIS UM DIA
Bem cedo, luz o buraco,
espanto total... estamos numa imensa planície cercados por montanhas ao longe
(na véspera julgávamo-nos num desfiladeiro!); são horas de café e ir
andando.
O chefe investiga mais
além. Há que economizar combustível. Vai o UMM em exploração. Volta 2 horas
depois. O único caminho é o reprovado. Lá vai ter que ser!
PASSÁMOS!
Na
investigação, camuflados no pico de uma das montanhas, o chefe e o PP observam
no vale, uma mota com side-car e uma metralhadora montada (tipo mota nazi da
Grande Guerra). Era uma patrulha da fronteira argelina.
E o P.P. e o GPS tinham
razão, o CIEL BLEU (junto a Khemilia) de novo à vista, com um erro de 90 metros
nos cálculos num troço de mais de 100 kms. Mostrou-se compensador ter apanhado
as coordenadas na primeira passagem.
E
foi bom ver aquele povo meio nómada que nos recebeu com chá de menta e tantãs,
sentir a sua alegria em nos acolher nas humildes khaimas e cabanas de adobe.
DAQUI NASCEU A VONTADE DE VOLTAR… VOLTAR SEMPRE… E RETRIBUIR A SOLIDARIEDADE
![]() |
| 7º de cavalaria! |
![]() |
| Range Rover nunca atola... mas foge à areia solta |
![]() |
| Despertar de uma noite para lá da fronteira da Argélia |
LISBOA /GUINÉ-BISSAU - 3ª Expedição (1997)
A GRANDE ODISSEIA

IMPREVISTOS
Sahara Ocidental – 40 kms. da entrada de Dakhla a última cidade de
Marrocos (posto de controle policial no cruzamento de saída para a fronteira)
Percurso cumprido e comprido, primeiro controle
policial/alfandegário e aí está o nosso big-chief AMANDIO em sérios apuros. Oh
Leonor – viste a minha carteira? Oh Helder -
apanhaste a minha carteira de
cima da pedra quando parámos para pôr combustível e outros fins? Ena pá c’a ganda merda!
Leonor versos Helder, Helder versos Leonor - O
Musso é o mais rápido, com menos
peso tirando as mulheres e que gasta menos.
Leonor – Helder, foi ao Km. 269. Bora!
E assim se cumpriu.
Quilómetro 268, devagar pode haver diferença entre os
quilómetros marcados pelo Patrol e os do Musso, quilómetro 270, 271, 280.
Leonor volta, não pode ser tão longe. Devagar, quilómetro
260, tem que ser para trás. Vai fora da estrada, eu penduro-me no carro a vêr
de encontro a mancha do gasóleo que se entornou. Pára, quilómetro 268 eu vou a
pé a vêr se encontro a pedra onde o Amandio pôs a carteira.
Helder, já não há tempo, temos de regressar.
Éh pá Leonor, só mais uma passagem, agora guio eu. E não
encontramos a «filha da fruta» da carteira e o «gajo» tem lá os visas e os
documentos dele, está feito!
Olha ainda bem que o passaporte, as vacinas e a carta de
condução internacional não cabiam na carteira, senão é que estávamos mesmo feitos.
Helder, vamos embora!
Oh pá Leonor custa desistir «a gaja há-de estar por aqui».
Deixa Helder, vamos embora, o tempo é à tira para estarmos
lá à partida do «convoi»; no regresso voltamos a procurar e a não ser que algum
‘camelo’ a encontre, ela fica à nossa espera.
Helder! Estás bem? Vamos regressar; levas o carro e vamos
a ‘abrir’?
Ok. Leonor. Vamos nessa!
Minutos depois diz o Helder ao olhar os manómetros do
tablier do Musso:
Leonor! Qual é a autonomia de combustível deste carro?
Olha, varia, já deu para quase oitocentos quilómetros e já
deu para pouco mais de quinhentos.
Leonor! Faltam-nos para aí duzentos e estamos quase na
reserva! Merda! E agora?
Oh Helder agora reduz essa gaita para as duas mil rotações
senão ficamos na estrada.
Oh pá, a cem levamos mais de duas horas e temos quarenta
minutos para lá chegar a tempo do embarque e ainda temos de abastecer.
Helder, escolhe: ou não chegas – tens de esperar que
apareça um gajo que dê combustível ou reboque; ou talvez chegues e esperes pelo
“convoi “ do fim da semana.
O que são duas horas na vida de um «convoi»?
OUTRO DIA
Manhã cedo, acertar coordenadas no GPS, trocar
conhecimentos com elementos de uma organização espanhola que se dirige ao
Senegal com a oferta de duas viaturas NISSAN TERRANO II, e preparar para partir
rumo à Mauritania.
O trajecto é por pista com alguns restos de alcatrão do
tempo dos franceses. As autoridades decidem fazer a divisão do «convoi» em duas
partes dado o grande número de veículos. Aquecer os motores e em marcha na
primeira leva a uma velocidade bastante aceitável pois houve o cuidado de
seleccionar os veículos mais rápidos.
O DESERTO MINADO
O Chefe decide: a Leonor precisa ir para o Range Rover
acertar o GPS para o regresso,
portanto, o Carlos (co-piloto
do Range e do chefe) vai para o Musso da Leonor. A Rita (co-piloto do musso e
da Leonor) decide ir para o Patrol fazer companhia ao Pedro. O Helder
(co-piloto do Patrol e do Pedro) vai pilotar o Musso. Tudo bem… até que
Chegámos ao posto de fronteira do forte 86 La Gwira; falta
o Patrol e o Musso! Bom, vamos ter que esperar.
VEM LÁ O PATROL!
Viram o Musso? … Não ! Nós atrasámo- nos porque tivemos que
parar, entretanto o Musso ultrapassou-nos e nunca mais o vimos, pensámos que
estavam já aqui todos à nossa espera.
O Chefe decide tratar das formalidades com as autoridades
para adiantar a saída de Marrocos. A opinião dos soldados é tendente a
tranquilizar-nos; - não se ouviu ainda nenhuma explosão, portanto ainda não
lhes aconteceu nada e se eles só se atrasaram são encontrados pela segunda metade
do «convoi». Mais, não passaram o controle rumo à « Terra de Ninguém» pois
os respectivos passaportes estão ainda em poder do soldado que nos acompanhou e
ninguém passa sem receber o passaporte.
Tranquilizemo-nos com estas informações, aqui a autoridade
é infalível.
Oh! Malta! Os gajos Espanhóis dos Terranos estão a voltar
para trás; o que se terá passado? Vamos cuscar!
SIMPLES! Esqueceram-se
de ir buscar os passaportes!!!!
ENTRETANTO:
O Musso e o Helder realizam que se perderam. Assim,
combina-se com os companheiros de aventura Carlos e Linda assinalarem o
trajecto e voltarem para trás.
Neste meio tempo o Helder anuncia ir procurar uma rocha
semelhante à que o Amândio encontrou em Marrocos (mas promete não lhe pôr a
carteira em cima). A História não chega a contar se os intentos foram
conseguidos; desconhece-se se a descoberta imediata de um objecto não
definitivamente identificado, mas igualzinho a uma mina enterrada na areia e
destapada pelo vento, foi antes ou
posteriormente a ter encontrado a tal
rocha.
O Helder deixou Tshirts (que no regresso não encontrámos)
e garrafas vasias (essas sim estavam onde tinham sido deixadas) para assinalar
o percurso e, em marcha-atrás, pisando religiosamente o rodado anterior voltou
até encontrar as pistas que nunca deveria ter perdido de vista.
O Helder não ganhou para o susto e jurou a si próprio
nunca mais na vida querer ter uma dor de barriga;
O Carlos começou a sentir que o «soutien» lhe estava a
ficar um pouco apertado;
A Linda, convencida de que o Helder tinha visto um
lagarto, teve um faniquito.
MISSÃO CUMPRIDA, O REGRESSO E AS MESMAS
DIFICULDADES E OUTRAS
Dos inicialmente previstos seis jipes e 13 participantes,
estávamos reduzidos a três viaturas e seis participantes.
O Range Rover 3.9 Efi do Amândio queima o electrónico da
ignição e, sem recuperação depois de 580 kms à corda e sendo impossível
continuar a rebocar pela pista da praia, é deixado para trás na Mauritânia.
Manter a esperança, demonstrar calma e tranquilidade,
criar um ambiente alegre e sadio. TODOS, mesmo todos, apelando à sua juventude,
consolando-se mutuamente por termos tomado uma resolução e já estarmos de
regresso ao nosso querido Portugal e aos braços dos nossos parentes e amigos
nesta altura já informados da nossa odisseia e de que estamos bem.
PARTIMOS de
NOUAKCHOTT rumo à «ESTRADA MARITIMA DA MAURITANIA», à TERRA DE NINGUÉM e a
seguir MARROCOS, numa viagem demorada e carregada de imprevistos.

ALCANÇAR MARROCOS
A habitual espera, os funcionários semi despidos
estiraçados em tarimbas, moles pelo calor, pouco entusiasmo mostraram em nos
despachar. Conversa também mole do Chefe, umas HEINEKEN semi-moles (a arca
frigorifica pifou) e lá se conclui que não podemos sair ‘sem uma autorização do
chefe de alfândega’ por causa do carro que está averbado no Passaporte e que
não está para sair. Bendito, Range Rover que depois de abandonado ainda nos
causa sarilhos!
Vamos ter de sair da Mauritânia «a salto» Informamos os
agentes de alfândega de que vamos regressar a Nouakchott (para não levantarmos
suspeitas)
O trajecto da fronteira para Nouakchott ou para o DESERTO
MINADO era o mesmo durante cerca de 20 kms. Nessa altura, far-se-ia uma viragem
radical no percurso flectindo para norte e entrando abertamente no deserto.
E ERA QUASE FIM DO DIA. O crepúsculo que se avizinhava
anunciava para o dia seguinte um novo dia de sol e calor. Interiormente
interrogamo-nos sem deixar transparecer qual poderá ser a resposta - SERÁ QUE
AINDA VAMOS VER NASCER ESSE DIA?
Arranja-se um Guia mauritano que conhece a Terra de
Ninguém. O Guia reúne os condutores e dá instruções:
-
Os dois jipes devem seguir muito perto um do outro. Não
acender luzes ou sequer os stops, o segundo carro deve proceder exactamente
como o da frente, seguindo religiosamente o mesmo rodado e à mesma velocidade. ATENÇÃO
UM LIGEIRO DESVIO PODE QUERER DIZER O FIM DE TUDO.
-
Nas primeiras horas vamos atravessar deserto Mauritano
e por vezes vamos ficar visíveis dos fortes e ao alcance das armas. Há que rolar
VITE! Há ainda o risco de encontrarmos alguma patrulha, pelo que há que estar
alerta para a ordem de PARAR.
- Quando
atravessarmos a linha do comboio para
norte ficamos em MARROCOS .
Mantem-se o perigo de sermos
vistos agora pelos fortes e armas marroquinos.
E partir dessa altura o Guia
corre sério risco pois se formos apanhados ele é preso por entrada ilegal no
país.
Feito o ponto de situação – AÍ VAMOS NÓS EM PLENA AVENTURA. ESTÃO
TODOS PROIBIDOS DE PENSAR!
VITE…VITE… VITE…
TOUT DROIT A TOUTE VITESSE!
ARRETÉ Á GAUCHE DE LA DUNE ! TOUT
EST BIEN. ? VITE…VITE…
E o HELDER desligou o fio dos stops dos jipes e sem luzes,
sem fumar, sem ver sequer o caminho por onde seguíamos, numa total ausência de
pensamento, isolados na Terra de Ninguém ficamos sob vigilância do Forte
86. Acabaríamos por só obter a autorização de entrada em MARROCOS e integrar o ‘convoi’
na terça-feira seguinte.
Foram muito duros os dias de isolamento. O estarmos sós no
meio do nada, com carência de tudo o que
faz o nosso habitat usual, pensando nos nossos familiares que não têm notícias
nossas há uma semana e nos empregos onde alguns já deveriam estar de regresso
foi indescritível.
Finalmente o Sahara Marroquino
UM ULTIMO SUSTO
A LEONOR ao volante do MUSSO imprime um andamento rápido
mas tranquilo. Tem os sentidos todos em alerta porque embora haja pista, não é
fácil. ATERRADOR! Acaba de dar conta pelo retrovisor de que um enorme
helicóptero amarelo se aproxima com as pás de aterragem pouco acima do seu tejadilho.
O coração ou pára ou tenta saltar pela boca. O aparelho já sobrevoa o jipe, o
barulho é ensurdecedor mas ele continua a sua trajectória, sobrevoa muito baixo
os carros e segue, segue sempre. Huff!
UMA HISTORIA QUE PODIA SER UMA LENDA
Assim adquirimos mais um companheiro. Embrulhado num lenço
e metido no peitilho das jardineiras da LEONOR lá concluiu a viagem e foi um
ilustre componente do mundo gatal português, aceite pela respectiva comunidade
e de nome TARFAYA. Tornou-se na mascote mais querida da LEONOR
finalmente
UMA HISTORIA QUE PODIA SER UMA LENDA
Já é noite e está um vento marítimo muito frio. Parámos na
área de serviço ao lado do cabo TARFAYA para abastecer e comermos.
Reboliço por causa de um som semelhante ao grasnar das
gaivotas e eis que surge a LINDA e o CHEFE com uma coisinha parda na mão com
uns olhinhos pretos vivos e umas orelhitas espetadas tal qual um morcego.
A LEONOR arrepia-se (do frio ou do bicho) e berra …
tirem-me essa m… daqui!
Diz a LINDA: oh Nôr é um gatinho!
Qual gatinho isso é um morcego mas se for um gato, desse
tamanho, não tem hipótese, está morto. Tirem-me isso daqui!
Oh Nôr coitadinho! E a LEONOR lá pega um pedaço de miolo
de pão que esfarela e que o pequeno animal com a própria saliva molha e engole.
A FOME E O INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA SÃO ESPECTACULARES.
O prestimoso funcionário da ATLAS SAHARA no seu marroquino
vernáculo, com muitos gestos explica que a mãe do gatinho foi esborrachada e
ele vinha agarrado às redes de uma camionete.
São duas horas da manhã quando paramos à porta dos nossos
amigos. No mesmo momento a porta abre-se e o DIAWO aí está a receber-nos de
braços abertos.
Este homem aguardava-nos ansiosamente dia após dia, noite
após noite há mais de uma semana. O receber-nos àquela hora, vestido, fez-nos
compreender quanta ansiedade tinha por não saber de nós. Grande amigo o DIAWO,
criado por um português aprendeu o significado da amizade e da hospitalidade.
BEM HAJAS! <<<< Nota posterior: Janeiro 2012 - No regresso do Dakar Challenge Janeiro 2012 vimos sair para o hospital o nosso querido Diawo. A despedida definitiva.
A Mina, mãe de três crianças, não teve preguiça de se
levantar para nos abraçar e tentar ser útil. E foi-o! Arranjou leite do bebé
para, com uma seringa da mala de emergência médica, a LEONOR dar mama ao
TARFAYA (que assim foi alimentado durante toda a viagem e até ser homem, aliás,
gato)
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| ...chegamos |
UMA HISTORIA SEM HISTORIA 2000 - 5ª Expedição (Excerto)
Depois da travessia de Marrocos
Um salto maior e
lá começa a grade da L200 a chiar. Pára
CHICO ! A Leonor faz sinal ao ‘CHEFE’
que podem seguir, está tudo bem.
NÃO ESTAVA
NADA! CHICO, TERESA E LEONOR vamos lá a apertar a grade, a meter duas
cordas e a perder de vista o resto da EXPEDIÇÃO.
SOZINHOS NO
DESERTO
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| A Strakar e a complicada grade de tejadilho |
Diz a TERESA: NÔR
SABES O CAMINHO, NÃO SABES?
A Nôr não
sabe! Há-de ser algures, à direita
da grande DUNA , por uma daquelas pistas.
No problem!
O SOLEIL BLEU
fica perto da grande DUNA e basta seguir a sinalização (!) para lá chegar. FOI FACIL.
O Grande CHEFE
descansou a sua consciência mandando dois catre-catre com dois ‘nativos’ à procura da L200. Regressaram mais de meia hora depois sem, obviamente, nada terem encontrado (pelo menos
a L 200 não encontraram)
A AJUDA HUMANITARIA
Chegada ao
SOLEIL BLEU , um almoço piquenique .
O Hassan Hannam nosso
anfitrião de anteriores odisseias, leva-nos a Khemilia para a entrega dos bens que lográmos carregar por
1500 kms. SEM SERMOS DESCOBERTOS POR POLICIAS E POPULAÇÕES CARENTES.
Khemilia é uma pequena aldeia de NEGROS, antigos escravos trazidos do sul e
LIBERTADOS PELOS BEDUINOS quando foi proibida a escravatura. Vivem da pastorícia de alguns poucos
dromedários e da procura e recolha de fósseis na região. A venda de tapetes
artesanais aportam um mínimo de meios de subsistência.
Como era
esperado, fomos recebidos pelo CHEFE (um ancião comovido), na sua ‘sala de acolhimento’ onde foram colocados tapetes para nos sentarmos e
servido o tradicional CHÁ DE MENTA.
O nosso guia
Hassan fez uma explicação das origens do
povo que nos rodeava e traduziu do seu CHEFE o convite para no mês de AGOSTO
visitarmos a aldeia durante os seus
festejos anuais. Explicou que durante
uma semana os nativos repartem com todos os visitantes a sua comida e
recebem-nos com alegria efusiva com o
objectivo de ELIMINAR TODOS OS TRAÇOS DE RACISMO ENTRE OS POVOS QUE CRUZAM O
SEU TERRITORIO.
FOI FEITA A
ENTREGA DOS COMPLEMENTOS ALIMENTARES E DOS MEDICAMENTOS. O nosso MEDICO DE
SERVIÇO deu indicações sobre a forma de
utilização dos medicamentos (de uso corrente) e informações que considerou de
interesse.
No meio de muita
alegria (como é habitual) foram distribuídos CASKET’S da AXA , BALÕES,
BOLICAOS DA PANRICO e REBUÇADOS da LUSITECA.
Já noite, felizes,
regressámos ao SOLEIL BLEU para um jantar Marroquino, acompanhado do já afamado
BIDON e seguido dos tradicionais TANTANS e danças. Regista-se que neste momento da EXPEDIÇÃO já
havia participantes transformados em marroquinos (ISTO É, COM AS SUAS VESTES E ENFEITES)
FOI CONCLUIDO O OBJECTIVO DA EXPEDIÇÃO COM SUCESSO.
SAHARA_CHALLENGE 2001 6ª. Expedição (excerto)
A
travessia do grande Sahara Ocidental para
cumprir uma promessa
PASSAGEM
INEVITAVEL POR KHEMILIA
| distribuindo bombons às crianças de Khemilia |
Uma
passagem pelo Bazar e um almoço (pizza marroquina) na casa de família Hassan
Aos mais atentos foi apresentada a mãe e
irmãs e, a todos, até aos que não foram a Khemilia, na sua sala, servida a
refeição. Para os que não sabem,
tratou-se de uma grande distinção pois, não obstante a tradicional
hospitalidade árabe, a família não é normalmente exposta a forasteiros e a
privacidade das suas casas só é quebrada por convites a pessoas de grande
prestígio.
AS
DUNAS DE MERZOUGA (Erg Chebi)
Este
sim é o santuário do todo-o-terreno. Dunas que, se não são transponíveis, pelo
menos, deixam ‘descravinar’ nas suas faldas os nossos irrequietos ‘pica na
areia’.
Pistas
que se perdem de vista onde os incautos fazem os seus 4x4 saltar como gamos (às
vezes com sacrifício das próprias máquinas).
Assim se cumpriu.
Assim se cumpriu.
Depois,
ainda no CIEL BLEU, jantar e ó-ó que amanhã, depois de ver nascer o sol na grande duna, voltamos cedo à estrada.
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| Reg - o deserto de calhau |
Temos 2.300 Km para o destino (depois só falta o regresso...)
. MERZOUGA e
. O
«ATLAS»
ATÉ OUARZAZATE
CHEGAR DE NOITE – MANHÃ DE COMPRAS
TARUDANT - AGADIR - TIZNIT - GUELMIM
. «EL OUATIA« (TAN-TAN PLAGE)
E REVER VELHOS AMIGOS
. «… E QUEM QUISER PASSAR ALEM DO BOJADOR… TERÁ DE PASSAR ALÉM DA DOR…»
O CAMINHO DO SACRIFICIO – DAKHLA E A HORA DAS GRANDES DECISÕES: SEGUIR?
OU
REGRESSAR?
. O FORTE EM BIR GUENDOUZ – ATÉ NOUAHDIBOU
. A AJUDA HUMANITARIA EM NOUAHDIBOU – A SENHORA
KHADI
. REGRESSO A BIR GUENDOUZ – AVENTURA NA TERRA
DE NINGUÉM
. DE PASSAGEM
POR EL OUATIA - MARRAKECH - MOULAY BOUSSELHAM
. TANGER -TARIFA - PORTUGAL
Não
obstante esta viagem à Mauritânia ter sido devidamente programada e cumpridas
todas as formalidades prévias a mesma só se concretizaria depois de reunidas
condições especiais de facilidades segurança.
Todas estas acções, como é compreensível, têm de ser altamente sigilosas
e só já em DAKHLA, devidamente concluídas.
A HORA DAS GRANDES
DECISÕES
Estamos a pouco
mais de 300 quilómetros do objectivo. Falta-nos
somente ‘alguém’ que prometeu vir
buscar-nos e trazer a Marrocos.
Encontrar esse
‘alguém’ é a dificuldade. Houve há
poucos dias uma alteração nos números
de telefone da Mauritânia. É noite, não
há a quem recorrer para obter essa alteração (estamos em Marrocos). Em desespero, somos quatro a tentar ligações
dos nossos telemóveis, sem sucesso.
SEGUIR OU REGRESSAR
Sem
contacto com a Mauritânia estava comprometido o êxito da nossa missão. Não nos podíamos arriscar a avançar por nós
próprios sem a garantia de podermos reentrar em Marrocos em 48 horas.
Queria
isto dizer que, depois de termos feito o sacrifício de chegar tão perto, termos de desistir.
Não
havendo mais alternativas conseguiu-se, já em desespero de causa, contactar o
Secretário do Consulado da Mauritânia em Lisboa. Também esse contacto não pareceu frutífero
porquanto no dia seguinte, sexta-feira santa, o Consulado estaria encerrado.
O
Chefe, sempre o último a perder a esperança, decidiu que, de manhã cedo, todos iriam
tratar das formalidades para se seguir viagem, na expectativa de que entretanto
algo acontecesse.
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| O incrível Grupo Amantes de África e as suas (Catrele) 4L solidárias |
E aconteceu! O senhor Secretário, afinal mesmo fora das horas de serviço, fez os contactos necessários.
Ao chegarmos ao Estado Maior em DAKHLA encontrámos um (ruidoso) grupo de portugueses «OS AMANTES DE AFRICA E DA AVENTURA» , Núcleo do Alentejo, que andavam à nossa procura para nos informar que estava UM GUIA à nossa espera, como combinado. Alívio dos alívios! Afinal está tudo bem… quando acaba em bem!
Formalidades cumpridas no Estado-Maior, na Gendarmerie e na Alfândega e lá vamos alinhar, o mais à frente possível, no grande convoi militaire rumo a
BIR GUENDOUZ (La Gwira)
Deveria sair às 14 horas. Fizemos piquenique já na ‘fila’ e aguardámos…aguardámos… eles têm todo o tempo do mundo!
Direcção EL ARGOUB e começam as paragens. Nada a fazer, podemos andar mais rápido para não dar sono porque entretanto fez-se noite, mas depois há que esperar que cheguem os outros. Uma das paragens foi tão longa que houve quem desembrulhasse o saco-cama e julgasse, ao acordar, ter dormido toda a noite. Mentira!
Lá se retoma a marcha, a noite é negra e, a ilusão que se conclui ser habitual por
aquelas paragens, parece que rolamos
dentro de uma manga de plástico preto.
No regresso, de dia, a Margarida estava atónita por só ver uma planície
desértica no lugar que de noite lhe tinha parecido uma floresta.
Finalmente
O FORTE - BIR GUENDOUZ
Chegámos. Houve quem montasse tenda, houve quem
dormisse logo assim. Ainda lá estava o
saco-cama desenrolado! Os outros
Portugueses também lá estavam montando o seu acampamento, mas não houve tempo sequer para a ‘cervejola’ que nos
tínhamos mutuamente prometido.
Dormir,
dormir, dormir… sob um céu magnífico, carregado de estrelas ali bem
pertinho, quase ao alcance da nossa mão.
E
depressa se fez manhã e houve que levantar arraiais porque, a qualquer momento,
hão-de vir entregar-nos os passaportes
e partiremos logo de seguida.
Levou
mais tempo do que se esperava… ou que se queria, mas finalmente… lá vamos nós
‘terra de ninguém’ dentro.
Alguém
dizia que não acredita em bruxas… mas que sabe que as há! Aqui passa-se o mesmo
com as ‘minas’; ninguém acredita nelas … mas que às vezes explodem carros…
explodem! Felizmente houve quem passasse tudo isto tão ligeiramente… que nem
deu por nada!
...E
aí está ele encoberto numa duna - o
nosso ABDALLAH
FINALMENTE NOUAHDIBOU E MISSÃO CUMPRIDA.
VAMOS REGRESSAR
e
o nosso
amigo ABDALLAH acompanha-nos até onde é
possível (a mesma duna onde nos esperou à chegada). Depois,
despedidas, recomendações e votos de boas viagem. ESTAMOS
ENTREGUES A NÓS PRÓPRIOS NA TERRA DE NINGUEM (diz o Amândio) «campo minado» acrescento eu .
Fronteira
da Mauritânia.
Vamos passar a linha de comboio – do maior comboio do mundo, segundo se diz
– para norte e ficar sob a jurisdição de MARROCOS
Vamos passar a linha de comboio – do maior comboio do mundo, segundo se diz
– para norte e ficar sob a jurisdição de MARROCOS
AVENTURA NA TERRA DE NINGUÉM
O chefe abre a caravana e recomenda: « todos em
linha, sobre o mesmo rodado mantendo –se juntos».
Pode
registar-se que, nesta altura, os
participantes estavam já conscientes das dificuldades a enfrentar, não
totalmente isentas de risco. Para
desajudar… ‘o ventinho’ que se vinha a sentir estava já a formar ‘tempestade de
areia’ o que, para além de dificultar muito o andamento dos 4x4, cobria de
imediato os rodados anteriores confundindo as pistas.
Era muito
fácil um engano. O chefe, levando 20 metros de avanço sobre a
caravana (por razões de segurança ‘para a caravana’) perdeu o trilho e, embora
na direcção certa, deixou de ter pista.
Tinha a
percepção, quase certeza, que no desvio/corte da pista se deveria seguir num ângulo de 90º onde
parecia ter havido rodados recentes. Impus tomar a dianteira e que me seguissem
com as mesmas cautelas anteriores. Fui premiada, não pisei nenhuma mina e estávamos de novo numa pista.
Serpenteámos
mais um tempo no deserto contornando as dunas viajantes e… finalmente o forte
marroquino.
Agosto, tempo para
merecidas férias diferentes.
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| Grupo (parte) |
Num final de Agosto escaldante encontrámos uma terra castigada por quatro anos sem chuva. As pedras nos leitos secos dos rios pareciam querer estalar clamando por um pouco de frescura, tal como nós, debaixo da ponte, aproveitando com os nativos a pouca sombra e alguma água salobra de um profundo poço que a natureza, caprichosa mas clemente, deixou.
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| Almoço no Todra e encontro com Hassan |
Revimos aqueles amigos que
normalmente nos acolhem nos decursos das missões humanitárias da TTT, desta
vez, mesmo em ar de férias sem a pressa que já nos começava a caracterizar…
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| Espaço de brincar |
Não podíamos deixar de cumprir um ritual! Lá fomos até Khemilia só para levar brinquedos, guloseimas, uns tantos medicamentos, alimentos, amor e alegria. E outra vez houve um menino que ganhou o seu primeiro par de sapatinhos. Um menino igual a outro da expedição anterior, que também parecia um gatinho com cascas de noz nos pezinhos.
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| Menino de Khemilia |
Inolvidável foi também a
noite, uma noite envolta num céu que só existe no deserto – um deserto que nos
atrai e desafia mas que de noite se fecha em tabus que nem os próprios
tuaregues ousam profanar…
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| O desafio do Erg paga-se caro... |
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| Há os que saem a reboque |
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| O perigo é uma constante |
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| sujos mas contentes |
As próprias máquinas
parecem pactuar com o deserto, roncando e resfolegando mas não conseguindo
vencer as dunas nem a areia quente do Erg que nos restou do dia escaldante.
Indescritíveis as sombras e o halo quase terrífico de uma qualquer lanterna de um dos nossos que atascou afastado e procura reunir-se aos restantes para passar a noite.
Indescritíveis as sombras e o halo quase terrífico de uma qualquer lanterna de um dos nossos que atascou afastado e procura reunir-se aos restantes para passar a noite.
O jantar e a prevista festa no oásis ficaram adiados. Connosco ficou o cozinheiro e o Hassan. O grupo e as máquinas vão aguardar o nascer do dia perdidos na
imensidão do Erg Chebbi, tentando dormir e também atentos a todas as maravilhas
da natureza traduzidas num simples rato branco do deserto a sair da sua toca
para recolher os pedaços de bolacha que a Teresa lhe ia atirando

E fez-se dia; o TD5 tirou o Patrol do buraco onde se tinha enfiado, depois rebocou o Discovery com o disco de embreagem queimado através da pista até Erfoud. Surpreendentemente um mecânico com um kit completo da marca que, simplesmente, instalou a muito baixo custo.
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| O Patrol atascado fora do alcatrão |
Tivemos a noite seguinte no Hotel Tafilalet de Erfoud, um serão dentro da piscina de água morna e transparente, abençoada, outra vez, por grossas gotas de chuva.

Iríamos iniciar o regresso
com paragem em Rissani para as comprinhas habituais, um picnic à saída da
cidade
e rumo a Ouarzazate
e rumo a Ouarzazate
| Souk de Ouarzazate à noite Era a viagem das boas surpresas. Iniciamos já um pouco tarde a subida do Toubkal (a montanha das montanhas). |
É um percurso sinuoso e difícil mas espantoso de beleza. Fomos apanhados pela proximidade da noite em plena montanha.
O que de início nos
preocupou acabou por se tornar totalmente aliciante. Encontramos um kasbah que
nos pareceu desabitado mas que nos recebeu com uma hospitalidade única.
Tivemos banho, vestes nativas, jantar, tantãs e cantares. Confraternizou-se muito, bebeu-se ainda mais e dormiu-se ainda melhor. O chefe calculou mal um degrau e, consequentemente, deu um mergulho. Como o chefe é pesado, bem, todos pensaram num terramoto! Sem problema!
Tivemos banho, vestes nativas, jantar, tantãs e cantares. Confraternizou-se muito, bebeu-se ainda mais e dormiu-se ainda melhor. O chefe calculou mal um degrau e, consequentemente, deu um mergulho. Como o chefe é pesado, bem, todos pensaram num terramoto! Sem problema!
Rumamos a Marrakech. De novo compras, agora na Grand Place Jmal Al F’naa.

apreciamos o dentista, os aguadeiros, os contadores de histórias, os encantadores de serpentes. Jantamos num espaço místico ao som de um alaúde.
tivemos o habitual pequeno-almoço junto à piscina.
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| Almoço buffet |
O Frontera era tripulado por um casal em viagem de núpcias. De manhã o nosso companheiro queixava-se de fortes dores numa perna que o impossibilitava de caminhar.
|
| Recepção Kenza com a Najate |
A recepcionista do Kenza de
imediato chamou uma fisioterapeuta que, sem obter resultados aconselhou a ida a
uma clínica. No entretanto e porque nada
haveria a perder, um spray damala de emergência médica resolveu o problema em
minutos e … desconhece-se se definitivamente.
Vamos em direcção à costa,
todos anseiam por umas horas de praia
e uns mergulhos no Atlântico. Vamos mostrar as marcas portuguesas em Marrocos nas cidades costeiras, El Jadida e Essaouira.
Depois, rumo a Moulay Bousselham
Por fim Tanger, Algeciras e Portugal.
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| saídas da praia |
e uns mergulhos no Atlântico. Vamos mostrar as marcas portuguesas em Marrocos nas cidades costeiras, El Jadida e Essaouira.
Depois, rumo a Moulay Bousselham
| A lagoa de Moulay Bousselham |
| A piscina do Hotel Le Lagon |
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| e às belas fritadas de peixes com crevettes |
Por fim Tanger, Algeciras e Portugal.
As férias mais marcantes de sempre terminaram.
FIM DE ANO NO SAHARA Morocco 2002/3 - 2ª. Rapidinha - 9ª EXPEDIÇÃO
Fomos viver a paixão do
deserto passando de ano num oásis e comprovar se a magia dessa noite é igual a
todas as outras noites do Sahara.
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| http://www.hotelnomadpalace.com/ |
Fomos rever amigos – gente
hospitaleira perdida num mar de areia, com dias e noites sempre iguais mas que
nós vamos agitar e tornar diferentes. Fomos reencontrar aquela multidão de
olhinhos sorridentes em rostos negros que gulosamente virão espreitar todos os
cadeaux que a nossa presença anuncia.
Mas só alegria não chega…
em Khemilia os bens deixados na nossa anterior passagem há muito que se
esgotaram e são já uma saudade.
Desta vez, aos medicamentos
de uso corrente, suplementos alimentares e alimentos, juntamos dentíficos e
escovas, material escolar e sapatinhos de criança.
Vivemos «as mil e uma
noites»
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| http://www.hotelati.com/ |
em ambientes como nos habituamos a ver nos filmes das
arábias, exemplo é o belo Hotel El Ati na estrada de saída de Erfoud para Rissani.
Os nossos companheiros eram
estreantes do continente africano; decidimos entrar por Ceuta, seguir por
Tetouan, Fes, Sefrou, Ifrane, Midelt, Erfoud Merzouga
e regressar pelo Valé do Draa, Zagora,
Ouarzazate, Marrakech El Jadida,
Essaouira, Tanger.
Curiosidades:
Segundo dia de viagem vamos
jantar e pernoitar em Sefrou.
É hábito os jovens
juntarem-se aos turistas tentando ser prestativos e confraternizando. Mais uma
vez assim aconteceu.
O nosso jovem de nome Said,
com o seu conversar cheio de animação e gestos, por ter percebido que o nosso
grupo tinha uma vertente humanitária, quis pedir a nossa ajuda para um seu
familiar.
Do alto do jardim do Hotel
avistava-se uma encosta rochosa que se assemelhava a edificações em ruínas.
Segundo o nosso amigo não
ficaria longe da nossa rota e, segundo também o nosso amigo, tratava-se de um
idoso com um problema num braço (percebemos que teria uma ferida que não
sarava).
Conferenciamos e o Dinis
foi de opinião que era nosso dever ir ajudar o idoso para mais se ficava em
caminho não perderíamos muito tempo.
Parte a caravana com o
nosso amigo à pendura (exultante de felicidade – estes marroquinos dão a vida
por uma volta de jipe com os turistas!).
Era mais longe do que
parecia e na nossa rota era pura ficção. A edificação afinal não era mais de
que um grande rochedo com buracos escavados em habitações.(tipo Capadócia)

Estranhamente não havia mau cheiro nem era desagradável a habitação/caverna onde entramos.

Estranhamente não havia mau cheiro nem era desagradável a habitação/caverna onde entramos.
Gente muito humilde dobrada
em vénia aos nossos pés. Logo desenrolaram tapetes para nos criar conforto e
ofertaram o mítico thé a la menthe.
Começamos a avaliar as
queixas do idoso tentando entender a lamúria da mulher. Foi-nos muito útil a tradução
feita pelo Said para nos deixar boquiabertos.
Aquilo que o Dinis avaliou
como resultado de um AVC já antigo foi-nos explicado como uma praga de
mau-olhado que uma vizinha invejosa lhe teria lançado há uns meses.
Bom, perante a situação não
havia que desarmar. Abriu-se a mala médica, ML e Dinis colocaram máscaras e
luvas e lá se partiu para um tratamento de choque ‘ao mau-olhado’.
Uma caixa de comprimidos de
Aulin, para tomas de manhã e â noite, uma embalagem de Reumongel, e a
recomendação de friccionar 2 vezes ao dia.
Uma massagem pela mão de
mestre do Dinis, 2 comprimidos de Tramal dados com o chá e à nossa partida já o
nosso doente movimentava o braço sem dores. Milagres da medicina contra o
mau-olhado! Muito gostaríamos de saber o
seguimento
Missão cumprida vamos regressar mas não sem
primeiro acompanharmos a passagem do Paris-Dakar em pistas marroquinas
Depois de muitas contrariedades, bens arrumados, finalmente saída de Portugal, atravessar Portugal e Espanha sem maiores dificuldades para além de ventos forte e chuva intensa.
Paragem em Moulay Bouselham para aliviar um pouco o peso e deixar computador, cadernos, lápis, esferográficas e alguns bombons às crianças da escola
Atravessamos Marrocos verdejante no norte, admiramos os oueds a invadir as estradas e largas represas de água da chuva.
Vencemos as fronteiras do costume, rolamos com cadência e atingimos na data prevista
à pista do mar até Nouakchott
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| Zona de areia |
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| Pista do mar - zona dos chious |
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| Sahel - zona húmida de transição do Sahara para clima mais temperado |
Em Djama:
« Ir até à Guiné? Pensam
que estamos brincando. Atravessar a Gambia? Nem pensem nisso – contornar a
Gambia – não podem - houve grandes chuvas.
Não há passagem no Cacheu .
Temos que aceitar que a
VIAGEM TERMINOU AQUI. Vamos regressar!» e CUMPRIR A MISSÃO NOUTRA ROTA
Na periferia de Nouakchott
e por indicação do Abdalah, conhecemos em 2001 a Sra. Mint Moulknass empenhada
em alfabetizar uma legião de garotos (filhos de pescadores pobres) a quem
presta também alguns cuidados de saúde .
Fomos acolhidos ‘na família’
Abderrahman Imouzer – só quem conhece as tradições muçulmanas compreende o que
é esta distinção. Pareceu-nos o retomar de outro dia já vivido no mesmo local.
Os sapatos ficam à porta. Partilha-se uma refeição, sentados no chão em tapetes, come-se qualquer coisa gostosa que não se percebe bem o que é, acompanhada com pão sem fermento que serve simultaneamente de talher.
Os sapatos ficam à porta. Partilha-se uma refeição, sentados no chão em tapetes, come-se qualquer coisa gostosa que não se percebe bem o que é, acompanhada com pão sem fermento que serve simultaneamente de talher.
É místico e diferente. As mulheres que só falam árabe conseguem
comunicar-se e num gesto que pretende demonstrar a aceitação e igualdade entre
todas, pintam as mãos da Maufeitio segundo as tradições tribais. Essa pintura
feita com heiné durou várias semanas e custou muita brincadeira à Maufeitio no
seu regresso ao estaleiro da obra onde trabalha.
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| O limite do Sahara e o Sahel estavam alagados |
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| Os nossos companheiros |
Foi uma viagem alternativa ao programado mas não deixou de ser igualmente profícua e gratificante. Outro ano voltaremos à Guiné-Bissau.
AJUDA A POVOS CARENCIADOS CHALLENGE 2004 - 11ª Expedição (Excerto)
Foi KSAR EL KHEMILIA que
norteou a preparação desta 11ª Expedição. O leitor atento das incursões da
Turma Todo Terreno em África lembra-se que os objectivos dos respectivos
coordenadores é sempre alcançar povos carenciados. Não especialmente aquelas
situações de catástrofe mediática onde grandes Organizações Não Governamentais
disputam a primazia de chegar primeiro e a que os «Media» dão destaquem mas,
núcleos populacionais isolados «onde a solidariedade não é notícia».
KHEMILIA e as suas gentes
estão há anos no nosso coração. Aquando do regresso de uma tentativa falhada de
atravessar a Mauritânia, fartos de areia e de dunas, chegámos acidentalmente a
esta aldeia e aí repousámos, compreendemos que os 4X4 poderiam servir para
muito mais do que para «nos transportar» em aventuras todo-o-terreno.
Desde então a osmose deu-se
entre (aventura + 4X4 + solidariedade) = «férias diferentes» levando-nos
periodicamente até estas paragens, com bens de primeira necessidade,
medicamentos, roupa, brinquedos e muita alegria.
Seguimos via Rissani até
Merzouga, fazendo a pista até Erfoud para jantar no Hotel Tafilalet.
A Hospitalidade Árabe nada
tem a ver com a Europeia – aqui um hóspede é sagrado e, se necessário a sua
vida e os seus haveres serão defendidos com a própria vida do seu anfitrião.
Também a retribuição da amizade é muito apreciada o que torna qualquer estadia
extremamente agradável e repousante.
TODOS JUNTOS --- AMANHÃ
ATINGIREMOS O OBJECTIVO DESTA
VIAGEM; AMANHÃ VAMOS CHEGAR A
KHEMILIA
Tudo combinado e pelas nove
horas marroquinas o Hassan com o seu dromedário «LAND CRAISY» já nos espera.
Estava uma manhã fresca e
agradável mas que fazia adivinhar um dia quente logo que atingíssemos as areias
do Sahara. Seguimos pelo alcatrão via
Rissani até Merzouga. Também o deserto começa a ser invadido pela civilização e
as «serpentes negras» disputam o tráfego das pistas.
Foi
rápido e sem incidentes o trajecto até ao moderno e recentemente criado
«dispensário» de Merzouga a que as populações chamam de «hospital». Alguns
pacientes aguardam tranquilos, meios sonolentos na frescura da sala de entrada
e só a nossa passagem os faz lançar um rápido olhar de curiosidade. Uma só
mulher faz o trabalho misto de enfermeira, assistente social e planeamento
familiar.
Parece
competente mas com total carência de medicamentos e de material de penso; os
seus armários estão praticamente vazios.
A nossa preciosa carga
começa aqui a ser descarregada e vai minorar muito sofrimento e suprir muitas
necessidades durante algum tempo.
Logo aqui parece que se
formou um pacto silencioso entre os olhares de alguns dos participantes –
vamo-nos empenhar em obter apoios para manter
este dispensário a funcionar suprindo as suas necessidades básicas em
antibióticos, anti-inflamatórios, anti-piréticos, analgésicos e material de
penso (especialmente medicamentos infantis).
É isso! Medicamentos com
prazo de validade que já não lhes permite serem lançados no mercado nacional,
medicamentos com defeitos no embalamento, enfim… todo aquele desperdício das
sociedades de consumo pode ser «reciclado» aqui, onde não há nada e há tantas
carências. QUEREMOS sensibilizar as pessoas de boa-vontade que têm capacidade
para, desinteressadamente, ajudarem os mais carenciados.
Algumas palavras,
fotografias, promessas de não nos esquecermos da existência destas gentes,
motores a roncar e alegremente lá vamos areias dentro até ao destino final.
![]() |
| Kim ou Sal? Quem sdenuncia? |
AQUI ESTÃO REUNIDAS AS
NOSSAS PAIXÕES:
AREIA – PISTAS – DUNAS – E
PESSOAS
Rapidamente chegámos à
aldeia e logo uma multidão esfuziante de alegria nos rodeia. As mulheres cercam
a ML palrando na sua língua ininteligível; logo surge a «branca»
Fátima, conhecida pela mãe de “Hadija” que com o seu francês razoável é a nossa intérprete habitual.
| As mães de Khemilia |
Em Setembro de 2003
estivemos em Khemilia. Talvez ainda reste na lembrança de alguns a fotografia
do “chefe” tendo ao colo o recém-nascido
Hamed, filho da negra Fátima. Seis meses volvidos e aqui têm, de novo, o
“grande chefe” com o pequeno Hamed, agora já um pouco maior.
A alegria foi indescritível e também a comoção
dos expedicionários que nos acompanharam pela primeira vez.
Não é fácil encarar a
simplicidade destas gentes, sobreviventes do deserto, que vivem no limiar do
nada e mesmo assim são alegres. Fazem rufar os seus tantans dando-nos a sua
música,
acompanhada por um «Thé a la Menthe», num
gesto de agradecimento. O pouco que lhes levamos, para eles é muito e ficam
felizes por saber que são lembrados por um mundo longínquo que não se fecha na
ignorância da sua existência.
E foi dia de festa!
A comunidade aumenta –
começamos a acreditar que em cada viagem teremos que encontrar um recém-nascido
– a nossa companheira Cláudia emociona-se até às lágrimas e decide apadrinhar a
pequena Tambat. Aqui se documenta a
alegria estampada no seu rosto, com a negrinha ao colo, logo após ter tomado
aquela decisão.
As crianças estão na escola
– se se pode chamar de escola a uma divisão de cerca de 16m2 feita em ‘adobe’,
sem janela com uns tapetes no chão onde se amontoam talvez uns 40 miúdos com
idades entre os 4 e os 8 anos e um mestre (que também é músico).
Aproveita-se a
tranquilidade da ‘escola’ para distribuir rebuçados e brinquedos pela
criançada. O nosso mais jovem
companheiro de viagem «o Luisinho» que antes da partida tinha ensacado uma boa
quantidade dos seus brinquedos – alguns deles de que mais gostava - fez questão
de se misturar com os nativos e fazer ele mesmo a distribuição dando a cada um,
conforme seu critério, o brinquedo que entendia. Foste um sucesso Luísinho e o Allah em que eles acreditam há-de trazer-te a recompensa pelo teu gesto.
Em Khemilia o marido da
Fátima é enfermeiro militar e vem à aldeia regularmente. Vem-lhe destinada uma
caixa de medicamentos para poder ajudar a esta comunidade em casos sem
gravidade.
Em casa da Fátima e com todas
as mulheres deixamos os alimentos, as roupas e o calçado que levámos para serem
repartidos entre elas.
MISSÃO CUMPRIDA
Uma última fotografia, mais
um adeus e uma promessa de voltar e são horas de seguir para o PALACE NOMADE
onde nos esperam umas tagines berberes já um pouco torradas.
DUNAS, AREIA, AREIA. DUNAS --- AQUI ESTÁ O CENÁRIO PORQUE ALGUNS SUSPIRAVAM E QUE OS FEZ VIR TÃO LONGE…
A propósito de enterrar-se na areia!…
![]() |
| O nosso querido doutor «Aspegic» e a sua Navara ou |
O Hassan reclamou ao chefe da sua amizade. Não é de amigo deixá-lo
nas dunas com o «grupo de picas na areia» cada um pior que o outro… Não
apreciámos… não estivemos lá para ver mas que há fotografias com os 4X4 de
joelhos … que as há; há!
![]() |
| mais propriamente o nosso querido Coronel Tapioca! |
![]() |
| mas todos assentaram! |
Hassan o «petit Touareg»
que em 96 deu um curso (sem F.S.E.) aos participantes da 1ª. Expedição
Guiné-Bissau, explicando a “crista da duna” e ensinando a “navegar”
longitudinalmente num mar de areia,(erg) decisivo para enfrentar as horas de muito
esforço, na época em que atravessar a Mauritânia com muitos quilos de carga por
viatura, não era para todos, merece a gratidão de todos nós.
Não vamos narrar só o que
houve de positivo. É preciso dizer tudo e deixar à consideração e opinião de
cada leitor a apreciação também do que achamos menos bom.
Como já se disse Marrocos
está actualmente em pleno desenvolvimento incrementando o turismo. As
telenovelas brasileiras mostrando o lendário luxo árabe dos Kasbahs, as belas
mulheres nos seus trajes e véus, adultera a realidade de um povo que, nestas
aldeias Sarahuis, vive no limiar da sobrevivência e em que os véus dão lugar
aos simples e negros mantos berberes.
O turista, não o amante de África,
deslumbra-se com as belas paisagens, com as mudanças bruscas desde os diversos
cambiantes de verde dos campos de cultura, às escarpadas montanhas agrestes e
inóspitas,
seguidas de planícies rochosas quais paisagens lunares, depois areias mornas sugerindo miragens de tufões e oceanos, até aos tranquilos oásis de palmeirais. Não está preparado para conviver com estas populações simples e hospitaleiras, que nos conhecem, que nos recebem como amigos, diria até, como
CASAMENTO BERBERE Hassan Hanaam e Khemilia 2004 - 3ª Rapidinha
12ª EXPEDIÇÃO
seguidas de planícies rochosas quais paisagens lunares, depois areias mornas sugerindo miragens de tufões e oceanos, até aos tranquilos oásis de palmeirais. Não está preparado para conviver com estas populações simples e hospitaleiras, que nos conhecem, que nos recebem como amigos, diria até, como
CASAMENTO BERBERE Hassan Hanaam e Khemilia 2004 - 3ª Rapidinha
12ª EXPEDIÇÃO
A amizade desenvolvida ao longo dos anos premiou-nos com o convite para assistir aos esponsais do Hassan Hanaam ( le petit touareg le dernier célibataire como se intitulou), cerimónia reservada familiares e amigos em que fomos incluídos em todos os seus rituais
Coube-nos a honra de ficar
na mesa (tapete) do noivo,
perto de 50º C., rajadas de areia, ensurdecedor batuque dos tantãs,
profusão de chá de menta e abundantes refeições
de tagine e couscous durante três longos dias.
Arranjamos oportunidade
para discretamente rumarmos ao Centro de Saúde e Merzouga a entregar os
medicamentos disponibilizados pela Roche.
Aproveitámos para visitar Khemilia, rever os nossos ‘pequenos’ levar alguns alimentos, guloseimas, roupas, brinquedos e batons hidratantes para as mulheres
![]() |
| http://www.hotelnomadpalace.com/
(um mimo da Cris, a bela
farmacêutica que integrava esta expedição)
|
Depois
O objectivo porque todos
suspiravam… as largas pistas de areia, as dunas, os lagos secos, areia…areia…areia,
e também calhau (ao que parece
descaradamente dentro da Argélia) 
Destino Tagounite e Mhamid (Erg Chegaga). seguindo as pistas para Foum Zgwid.


Depois Ait-Bennadou até Ouarzazate, mais umas pistas até o círculo de Amersgane com uma paragem em Tamakoucht para deixar computadores numa escola.
Mais umas pistas até Marrakech
![]() |
| com habitual jantar na Grand Place Jma al F'naa |
Ait Ben'Hadou
|
Kasbah Ait Ben'Hadou(património da Humanidade
|
|
|
De novo um grupo
de aventureiros com as suas viaturas todo-o-terreno empreenderam mais uma acção
solidária destino Khemilia.
E como
habitualmente levaram na sua bagagem medicamentos de uso corrente (os que em Portugal são vendidos sem receita
médica), alimentos infantis, cereais, leite e chocolate em pó, açúcar,
pequenos brinquedos, bolas insufláveis, esferográficas, bonés, roupa e calçado
de criança.
Para a maioria dos expedicionários foi o desvendar de um mundo novo, paisagens, cultura e modo de
vida que, sem limiar de pobreza são a imagem da sobrevivência.
AVENTURA NOMADA SOLIDÁRIA 2007 - 15ª.EXPEDIÇÃO (Excerto)
CYBERESPAÇO AS PORTAS DO
DESERTO iniciando
a população escolar de KSAR EL KHEMILIA no mundo virtual da INTERNET
Mais uma vez houve pessoas
e entidades que, preocupadas em ajudar povos carenciados, aderiram à
iniciativa, respondendo a um desafio novo
juntando equipamentos informáticos aos habituais medicamentos,
suplementos alimentares, brinquedos, roupas, bonés, rebuçados que, há já mais
de uma década fazemos regularmente chegar à aldeia de Ksar el Khemilia
Há exactamente um ano ficou prometida nova
visita, porque durante todos estes anos acompanhamos o nascer e crescer de
muitos meninos e meninas; é para eles que dirigimos esta acção – vamos
ajudá-los a conhecer um mundo novo, levar-lhes novas tecnologias, mostrar-lhes
que nos importamos com um futuro melhor apostando na aproximação dos
povos e das culturas



povos e das culturas
![]() |
| Estúdios Atlas na estrada de Ouarzazate |



Uma noite no Hotel da Meca do Cinema
Marroquino com muitas fotografias nos estúdios de grandes produções mundiais
com Laurence da Arábia e Bem-Hur.
Desfrutamos Marrocos, primeiro pela costa por Moulay Bousselham e s sua imensa praia atlântica, depois as estradas serpenteantes através dos imensos prados e cearas até Marrakech, a sua grand place com o misticismo das mil e uma noites, depois em direcção a Ouarzazate (as chamadas portas do deserto em que nos tempos idos confluíam as caravanas de mercadores)
O Hassan

tinha ficado de nos encontrar aqui mas como era cedo e não era essencial o encontro partimos rumo a Rissani, pequena localidade sede de distrito e ponto de partida da nova estrada que conduz a Merzouga sem ser pelas pistas.
Logo a seguir partimos para Ksar El Khemilia para
completarmos a nossa Missão. Bem perto a «grand dune de sable rose» e a aldeia
do povo Gnaua; a nossa querida Fátima já com a sua recém-nascida filha Ashna.
Os outros, Hamed e Hadija felizes e deslumbrados com o
reencontro.
Foi tempo de descarregar os
jipes, de tudo o que era destinado a esta aldeia, em casa da Fátima que, como
habitualmente procederá posteriormente à respectiva distribuição.
Deixámos para o dia
seguinte, mais calmo, um almoço de couscous «chez Fátima» e a orientação do
local e forma de criar o cyberespaço. Jogou contra nós o período de férias; por
isso, foi decidido que Fátima e seu marido ficariam encarregues de, com o
director da <Association des Gnaua>
programarem a utilização de 2 computadores para aprendizagem das
mulheres da aldeia. Um terceiro computador ficaria entregue a Hassan Hanaam e
ligado à Internet.
Conhecemos bem o Erg Chebbi,
foi lá que aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das
nossas incursões em
Africa. Foi lá que apanhámos sustos, avariámos e
rebocámos jipes. Foi lá que passámos uma
noite esperando o amanhecer, um jantar e
uma festa adiados num oásis.
No decurso da 5ª. Rapidinha 2007 deparámos com uma nova realidade:
Lima, não podes ter medo…
Allah olha por ti porque tu vais ajudar o povo de Allah ----------
Dúvida...<Conhecemos bem o Erg Chebi, foi lá que aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das nossas incursõesem Africa. Foi
lá que apanhámos sustos, avariámos e rebocámos
jipes. Foi lá que passámos uma noite
esperando o amanhecer, um jantar e uma festa adiados num oásis.>
- e eu vou contigo, Inch’Allah
Dúvida...<Conhecemos bem o Erg Chebi, foi lá que aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das nossas incursões
- e eu vou contigo, Inch’Allah
ADRENALINA AO MAXIMO
Sem medo, só duas rodas
motrizes, engrenada a quarta aí vamos a 80 km/hora, não rolando mas planando
baixo nas areias do Erg Chebi.
Uma a uma foram visitadas
todas as famílias nómadas que o Hassan conseguiu encontrar e entregues os sacos
com rebuçados, açúcar, chocolate e leite
em pó, brinquedos e roupas. O sol do deserto ou o sorriso daquelas pessoas
aqueceram-nos interior e exteriormente.
Rumámos depois ao lago
formado pelas grandes chuvas e vimos o contraste deste deserto com o que nos
acolheu em tempos quando levámos grossas gotas de chuva depois de sete anos de
seca.
Missão cumprida, regresso ao Palace Nomade para iniciar a viagem de volta a casa depois do merecido descanso e com tristeza deixar para trás mais uma vez o
grande e inolvidável
deserto, sempre igual e sempre diferente. Não foi mesmo a volta ao mundo mas
teve de tudo, suspense, arrelias, alegrias, surpresas mas especialmente calor
humano, dever cumprido, ajudar quem precisa e muito, especialmente rever aqueles AMIGOS, aquela
gente simples e hospitaleira, receber
abraços sinceros e a partilha de muito AMOR que não conhece fronteiras
ou cor de pele.
Missão cumprida, regresso ao Palace Nomade para iniciar a viagem de volta a casa depois do merecido descanso e com tristeza deixar para trás mais uma vez o
grande e inolvidável
deserto, sempre igual e sempre diferente. Não foi mesmo a volta ao mundo mas
teve de tudo, suspense, arrelias, alegrias, surpresas mas especialmente calor
humano, dever cumprido, ajudar quem precisa e muito, especialmente rever aqueles AMIGOS, aquela
gente simples e hospitaleira, receber
abraços sinceros e a partilha de muito AMOR que não conhece fronteiras
ou cor de pele.
SAHARA GRANDE SUL 2010 - 6ª. RAPIDINHA - 19ª EXPEDIÇÃO
TARIFA ▪ TANGER ▪ M. BOUSSELHAM
M.BOUSSELHAM ▪ EL JADIDA ▪ MARRAKECH
MARRAKECH
MARRAKECH ▪ OUARZAZATE (Via Toubkal)
OUARZAZATE ▪ ZAGORA
ZAGORA ▪ (Pista)TINEHRIR ▪ ERFOUD
ERFOUD ▪ (Pista) MERZOUGA
MERZOUGA ▪ MIDELT ▪ MEKNES
MEKNES ▪ IFRANE ▪ FES
FES ▪ CHEFCHAOUENNE▪ TANGER
TANGER ▪ TARIFA ▪ PORTUGAL
Uma viagem quase igual a tantas outras. Marrocos evoluiu muito nas últimas décadas graças também à modernidade do seu novo Rei. As pistas foram transformadas em estradas e estas em auto-estradas portajadas nos moldes dos tempos actuais na europa. Só o seu Povo, tradições e crenças se mantém imutável e originou um episódio marcante
O grupo de voluntários cumpre mais uma
missão humanitária nas areias cálidas do Sahara marroquino.
Um desafio não acessível a todos e cumprido
sempre com esforço, muita alegria e todo o amor do mundo. Tem contrariedades, às vezes frustrações mas
atingido o objectivo nada há de mais compensador e gratificante.
Só por si, a viagem de milhares de quilómetros em
viaturas 4x4, no asfalto, na água, em pistas de calhau ou de areia, já é uma
grande aventura cheia de acontecimentos e pontos altos de grande adrenalina.
Mas há também as surpresas, os imprevistos e a necessidade de ir sempre mais
além do que inicialmente se previu realizar.
Assim acontece em todas as missões; o olhar
atento dos voluntários capta facilmente todos os sinais de anomalias,
necessidades imediatas de alguém numa condição especial de sofrimento --- e
esse olhar é suficiente para que, de imediato, fiquem esquecidos compromissos,
horários, comodidades.
Atinge-se as portas do deserto: a cidade de
OUARZAZATE, confluência das antigas rotas comerciais, amalgama de culturas e
credos e, talvez o maior centro de «trocas comerciais» da Africa do norte.
Há
que ter sempre tempo para confraternizar com estas gentes hospitaleiras, trocar
bens para eles de primeira necessidade, por mais um cadeau, uma recordação… aquele
punhal berbere para um amigo querido, a lâmpada de Aladino que nos vai fazer
sonhar com génios e tesouros…
Todo o grupo se dirige para o grande «souk»
absorvendo odores e cores, excitado com o misticismo do local e a alegre
recepção dos vendilhões. Uma primeira aventura: atravessar a larga avenida
fervilhante de viaturas de todos os tipos a uma velocidade inacreditável.
Mas
Está a passar-se qualquer coisa de anormal; há
mais buzinas que as muitas já habituais, um desacelerar do trânsito e uma
confusão quase ordeira diferente da também habitual.
No meio do pavimento das duas faixas descendentes
algo se passa
Uma voluntária do grupo, alheada de toda a
confusão, presta assistência a uma jovem nativa deitada no asfalto. A sua presença cria como que uma muralha,
deixam de se ouvir buzinas, o trânsito rola lentamente como que em respeito.
A voluntária continua ajoelhada no chão junto à
jovem, com ela comunicando e, estranhamente, fazendo-se entender. Consegue
fazê-la soerguer-se, oferece-lhe um rebuçado, afaga-lhe o rosto inexpressivo.
Aos poucos a jovem vai saindo da apatia, sorri para a voluntária.
De mãos agarradas as duas levantam-se do chão ---
o trânsito, agora parado, deixa-as atingir em segurança os degraus da
berma. E aí se sentam as duas,
tranquilas, sorridentes, comunicando sem falarem uma mesma linguagem mas, de
olhos nos olhos, como irmãs estreitamente unidas por um sentimento de partilha
e de amor.
Largos minutos passaram, aproxima-se uma familiar
da jovem --- da jovem deficiente --- que tem ataques --- que por vezes não sabe
quem é --- que por vezes não sabe o que faz --------- como usa dizer-se nestas
paragens --- <Allaho akbar> .
<Hamdoullah > --- a nossa voluntária estava
no local certo na hora exacta para, antes de todos nós, ouvir aquele grito
silencioso de socorro e a ele responder, sem medo, sem limitações, com todo o
amor que os voluntários têm para dar.
Todo o amor deixa rasto. A cena foi observada por dezenas de olhos também das gentes do souk. Um jovem nativo aproxima-se, cumprimenta respeitosamente a voluntária e entrega~lhe uma lâmpada de Aladino. Perante a surpresa o jovem argumenta: < cadeau para te lembrar sempre o dia de hoje - não esperes esfregar a lâmpada e que o génio te apareça... não... não aparece mas concretiza os teus desejos porque Allah recompensa >>
FINALMENTE
Enquanto
outros como nós preocupados em ajudar quem mais
precisa nos ajudarem a ajudar
iremos sempre ao encontro

de um desafiador deserto com todas as suas espantosas formas e seres
deserto onde sonhamos acordados, desmistificamos miragens, escutamos o silêncio e o halo do Siroco trazendo o espírito da grande duna e as lendas Sahauris
Aconteceu e isto foi há muitos anos, que duas poderosas famílias, os Zayed e os Atman, se odiavam de tal modo e o sangue de uns e de outros havia corrido tantas vezes que as suas roupas e mesmo o seu gado poderia ter-se tingido de vermelho para toda a vida. E sucedeu que tendo sido um jovem Atman o último a cair, estavam os Atman ansiosos por vingança.
Acontecia igualmente que entre as dunas, não longe do túmulo do santo Omar Ibraim, estava uma khaima dos Zayed, mas na qual já todos os homens tinham morrido e só era habitada por uma mãe e seu filho, que viviam tranquilos, já que até para aquelas famílias que tanto se odiavam, atacar uma mulher continuava a ser um acto indigno.
Mas uma noite apareceram os seus inimigos e depois de manietarem a pobre mãe que gemia e chorava, levaram o menino com o propósito de enterra-lo vivo numa das dunas.
Eram fortes as ligaduras, mas sabido é que nada é mais forte que o amor de mãe, e a mulher conseguiu rasga-las, mas quando saiu para o exterior já todos se tinham ido e não viu mais de que um infinito número de altas dunas, pelo que se lançou de uma a outra esgravatando aqui e ali, gemendo e chamando, sabendo que o seu filho estava quase a morrer asfixiado e ela era a única que o poderia salvar.
E assim a surpreendeu a alva.
E assim continuou um dia e outro, e outro porque a misericórdia de Allah lhe havia concedido o bem da loucura para que deste modo sofresse menos o não compreender quanta maldade existe nos homens.
E nunca mais se soube daquela infeliz mulher, e conta-se que de noite o seu espírito vagueia pelas dunas não longe da tumba do santo Omar Ibrahim, e ainda continua com a sua busca e os seus lamentos.e certo deve isso ser, porque eu própria já me encontrei com ela ou, mais propriamente,
senti a sua presença numa noite em que já muito alta devia ir a lua, se não quisesse Allah que aquela fosse uma noite sem lua – quando me despertou um grito tão inumano que me deixou sem forças e encolhida tomada de pânico.
E em pânico estava quando de novo ouvi tão espantoso alarido e a este seguiram-se queixas e lamentações em tal número que julguei tratar-se de uma alma do inferno atravessando a terra com os seus uivos.
Nisto senti que esgravatavam na areia e pouco depois aquele ruído cessou para se ouvir mais além e desta forma o notei sucessivamente em cinco ou seis lugares diversos, ao mesmo tempo que os lamentos dilacerantes continuavam e o medo me mantinha encolhida e trémula.
Acabam aqui as minhas tribulações porque nesse momento ouvi uma respiração ofegante, atiravam-me punhados de areia à cara e que os meus antepassados me perdoem, mas confesso que senti um medo tão atroz que dei um salto
Acordei … estava na khaima onde, cedendo ao cansaço e ao calor me tinha proposto fazer uma tranquila sesta.
Sahara grande Sul 2013 -7ª. Rapidinha - 21ª Expedição
![]() |
http://www.hotelyasminamerzouga.com/hotel-morocco.html |
![]() |
| Fatima de Khemilia c/ 4º filho |
![]() |
| JP da TTT almoça com Fatima em Khemilia |
ALLAHU AKBAR ( Deus é grande. Louvado seja)
Deserto, as grandes dunas…
<< De um fôlego subo a grande duna
respiro o ar cálido do imenso deserto
ouço o silêncio das areias
vejo morrer o sol no horizonte
espírito da grande duna/
Sempre me mandas embora!
Fica comigo na eternidade
deixa-me formar uma nova duna
ser parte do deserto que eu adoro
eu quero, mas quero com muita força
evolar na atmosfera
aquela---
cálida e doce
do deserto do meu pó »
Deserto, as grandes dunas…
<< De um fôlego subo a grande duna
respiro o ar cálido do imenso deserto
ouço o silêncio das areias
vejo morrer o sol no horizonte
espírito da grande duna/
Sempre me mandas embora!
Fica comigo na eternidade
deixa-me formar uma nova duna
ser parte do deserto que eu adoro
eu quero, mas quero com muita força
evolar na atmosfera
aquela---
cálida e doce
do deserto do meu pó »
































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