sexta-feira, 5 de abril de 2013


– Quem sou?


Não importa muito <quem sou>. Serei uma entre milhões, nem melhor nem pior. A diferença?  Talvez  <porque me importo>. Importo-me com a humanidade e com a indiferença; importo-me com a irresponsabilidade e o mediatismo. Importo-me.
E quem é afinal a Leonor Lima? Resumindo: sou eu que já fui chamada de Maufeitio, Furacão, La Capitaine ou mesmo Queen. Mas, seja qual for o sentido dado a qualquer destes nomes uma garantia eu dou – todas as minhas atitudes forem sempre para salvaguarda e segurança de quem me segue nas minhas aventuras.

Porquê?

<<Era uma vez...
Uma profissional de sucesso, deslocando-se entre as suas empresas com a mesma genica que o alfa-romeo que conduzia...
Umas dores de cabeça mais irritantes quando, na verdade, era preciso estar no máximo da concentração para responder aos grandes desafios que todos os dias lhe eram lançados.
O desmoronar do mundo - apocalipso total pelo diagnostico... lesão cerebral irreversível
probabilidades? muito poucas; viver a termo certo! 3 anos, contando o tempo já passado e impossível de quantificar.
Resultado? Decisões: sacrifício dos caracóis loiros – cirurgia, quimioterapia, radioterapia?
NUNCA - - todo o ser humano tem o direito de escolher morrer com dignidade.

E assim
Nasceu uma nova  voluntária internacional
para quem a vida é para ser vivida
até ao último suspiro
com garra
determinação,
dividindo com os outros o que ainda lhe resta.
E essa divisão deu multiplicação...
os meses passaram, foi ficando esquecido o veredicto de morte
e os meses continuaram a passar
de novo a multiplicação
novos valores, novas recompensas
os meses somaram anos
e um novo diagnostico
...surpreendente...
O espectro da morte tinha sido afastado
não havia mais susto, não havia mais contagem decrescente
a morte há-de vir, sim
quando?
nem os deuses o sabem
mas continuam a proteger
a audaz e desafiadora
mulher que um dia disse NÃO a baixar os braços

Parece que foi ontem  - Anos 90. 

...começou assim: . O Marrocos profundo vivia ainda talvez um século de diferença. A população extremamente hospitaleira era também extremamente carenciada e nasceu logo a promessa de voltarmos… voltarmos sempre.
E a tal EU, herdeira de sangue aventureiro de avô oficial da Marinha de Sua Majestade, deixou crescer a vontade de <ir cada vez mais longe> ajudar quem tanto precisa.  Depois… bem, depois nascem as amizades ao longo dos percursos, a recompensa de todo o esforço traduzido por abraços de ternura e os sorrisos das crianças.
E acontece querer sempre voltar, fazer mais e mais, deixar de ter umbigo e poder dizer que teríamos um mundo melhor se cada um de nós se preocupasse em ajudar a salvar uma pessoa. 


Há momentos em que sabe bem abrir o baú das memórias e reviver coisas lindas tentando acreditar que foram verdadeiras.
Quase apetece deixar rolar uma lágrima silenciosa…
Mas porque  SÓ SE VIVE UMA VEZ digo: arrepender-me do que faço nunca, só me arrependerei do que poderia ter feito e não fiz 


Haverá sempre um tempo para AMAR e um para LUTAR.
para podermos sair VENCEDORES
Até ao dia inevitável
Em que a MORTE nos vencerá

Entretanto, dias monótonos, compridos. Reviver o  passado, transferi-lo para eternidade num monte de linhas cujo fim não é mais que procurar amordaçar a solidão com o eco das palavras. Nasce um Blog, o meu Blog,da ML Maufeitio







DIARIOS DE BORDO  <<SÓ POR MARROCOS >>
O PASSADO EM POUCAS LINHAS





Dificuldades que consideramos intransponíveis por razões de segurança, por diversas vezes, impediram-nos de ir para além de Marrocos.

Há quase duas décadas que percorremos o Sahara. Fizemos amigos, partilhamos alegrias e levámos bens essenciais.

Ksar El Khemilia esteve frequentemente nas nossas rotas.

As famílias nómadas precisam de nós, precisam dos bens que lhes levamos e precisam particularmente de saber que a sua existência é conhecida.

Sobrevivem num mar de areia --- conseguiremos perceber como resistem ao sol tórrido do dia e às noites gélidas do deserto? Onde conseguem obter água ou uns galhos secos para acender lume? Onde encontram comida – enfim! Como sobrevivem?

Não há os «media» a filmar, não sofreram nenhum terramoto ou cataclismo, ninguém fala deles… mas existem e despertam consciências para as injustiças das sociedades de consumo.

Seguem-se algumas narrativas de acções humanitárias sob o lema «vamos onde os outros não vão»


FIRST OFF ROAD Morocco 1995 - MORTE NA ESTRADA
11 viaturas; 23 participantes

   
Fizeram-se muitas fotografias, escreveram-se alguns «apontamentos de viagem» mas a história completa como se passou, por tão violenta e assustadora, durante muito tempo não se encontrou coragem para a escrever.
Mas o tempo atenua tudo – o medo – a angústia - até a raiva e a impotência. Passados  anos e muitas aventuras vividas no «fio da navalha» já é quase fácil reviver o passado para o descrever com a realidade possível aquele «dia mais longo» que para sempre perdurará na memória de todos os participantes na “First Off Road Morocco”.

O deslumbramento dos primeiros dias, atravessar campos cobertos de neve seguidos de belos prados verdes cobertos de flores e chegar à imensidão do deserto com as suas dunas cor-de-rosa. Toda a descoberta de um continente que nada tem a ver com a Europa actual, no tempo, na religião, na cultura, na hospitalidade e na gastronomia.

Facilidades de costumes menos rígidos aliados à curiosidade de descobrir e experimentar sensações novas, mais fortes e proibidas, têm mostrado a apetência para a aquisição e uso de «drogas leves» especialmente pelos mais novos. 

Um charro, conjugado com a euforia da liberdade que davam os 4x4 no vencer da areia, no cavalgar das dunas e na progressão rápida no alcatrão, acaba por inebriar os menos experientes conduzindo a excessos perigosos.
E assim aconteceu…



Manhã cedo de uma qualquer sexta-feira do mês de Abril, vamos deixar para trás as areias do deserto, o lago salgado e rumar a Rissani, ao mercado berbere, com destino a Zagora. A coluna de 11 viaturas rola com facilidade depois de algumas compras e de um almoço rápido.

Não havendo ao tempo as facilidades das caixas ATM de hoje, há necessidade de chegar ao Banco a Zagora antes das 17 horas para levantar dinheiro para o fim-de-semana. Temos tempo mais que suficiente pois vamos aproveitar a planura da estrada e rolar com cadência.

Na caravana seguem duas viaturas a gasolina com menor autonomia que as de gasóleo mas duas outras estão equipadas com jerricans exteriores para suprirem aquelas necessidades. Uma paragem rápida fica o Patrol da mecânica e os Korandos a abastecer o Samurai e o Niva.
 
O ‘chefe’ dá instruções para que a caravana siga devagar até estarem todos de novo reunidos.


Nestas expedições é norma seguir o ‘chefe’ à frente e a ML a fechar para que ninguém se perca, o que por vezes se torna extremamente difícil especialmente em cruzamentos com semáforos e dentro de povoações. Nunca foi conseguido consciencializar os condutores para se manterem colados na cauda uns dos outros e só com esforços titânicos por vezes se consegue manter o mínimo de disciplina.

Aqui, era uma planura imensa serpenteando pelo meio de pequenos montes que aqui e acolá nos escondiam uns dos outros mas onde era fácil rolar com cadência.

Inicia-se o andamento, a ML devagar à espera de ter à sua frente todos os que não tinham ficado parados e vê passar, em bom andamento, o Terrano do Rui Fonseca, o UMM do Zé, mais um e mais outro e, espanto o Samurai com «as Amélias» (alcunha das Sras. que o tripulavam), o Golf do guia Larby  e… lá vem o ‘chefe’ a abrir (parece que só em duas rodas)… 























 

Mau… e os outros quatro??




   

ML conferencia com a sua companheira Júlia. Conclusão: Vamos esperar que estejam todos à nossa frente --- não andamos nem mais um metro!

… E o tempo passa devagar, segundos maiores que minutos e uns poucos destes que parecem eternidades… E o tempo continua a passar… e nada… e passa e passa!

Júlia! Vem lá longe um com as luzes todas… o que quer dizer que há problemas! É quem?? Está ainda longe mas não há dúvida traz pirilampo! Há merda! 
É o Patrol com o João Machado está aí quase… João! Os outros?


O João pálido e consternado mas tentando aparentar controle dispara ---- Leonor vai apanhar o Amândio, temos UMA MORTA NA ESTRADA.

Os nossos estão todos bem. Um dos Korandos matou uma mulher que se atravessou – não há dúvida de que está morta --- é horrível!  Eu vou voltar para junto dos outros. Por amor de Deus vai depressa buscar o Amândio – não sabemos o que fazer!

Certo João, volta e mantenham-se juntos e tranquilos, eu vou apanhar o Amândio e vamos já ter convosco.

<<Júlia (coisa que nunca tinhas feito nesta viagem) põe o cinto de segurança – vamos planar baixo. >>
…Ora bem, Júlia. Temos uma emergência que não está dentro das previstas, por isso vamos lá a estabelecer linhas de conduta.
É assim:
Vamos fazer parar todos os jipes.
Logo que apanharmos o ‘chefe’, que já vai bem longe pelo tempo a que passou por nós, não vai haver tempo para explicações, volto para trás para o acidente e no caminho ponho-o a par da situação.
Tu saltas para o UMM com o ‘PP’ (diminutivo de Pedro Pombo), contas-lhe o que se passa, voltem para trás, reúnam todos e parem junto à estrada.
Juntos vão aguardar até ao sol-posto e se nós não aparecermos seguem para o Parque de Campismo de Zagora que será o local de encontro até amanhã ao alvorecer.
Não sabemos o que nos espera por isso lembra-te que a partir da manhã ficam nas vossas mãos o destino de cinco jipes e dez pessoas. Algo de muito mau se terá passado se não estivermos juntos quando raiar o sábado, por isso, nada de hesitações, logo cedo seguem TODOS para a Embaixada de Portugal em Rabat para pedirem ajuda. Certo? Certo!
… E bem! Estes gajos andaram! Olha ali vão as Amélias! Júlia, vou abrandar ao lado do Samurai, grita-lhes EMERGENCIA – ENCOSTEM – PAREM E ESPEREM.   E a Júlia assim fez. Lá vamos de novo a dar tudo o que o Terrano tem!(e tinha tão pouco – era dos primeiros modelos ainda com pouca cilindrada e sem turbo/intercooler)
Poça, isto é que foi abrir! Do chefe nem pó!
Mais um, mais outro e depois outro, todos foram encostando e parando a aguardar sem saberem bem o quê.

O tal pó lá ao longe!!! É o UMM mas não vê os nossos sinais – agora perdemo-lo no serpentear da estrada – aqui não nos vê mesmo! E os outros lá sozinhos! Bolas! Isto não estava no programa!
Lá vai o UMM – é pá não tenho mais nada para fazer sinais e eles não nos vêm mesmo! Esta droga não dá mais! E o tempo passa… tal como quando estávamos paradas! A imensidão da planície parecia aliar-se ao comprimento dos segundos.
Finalmente! Viram-nos! Olha os stops… Já ligaram os intermitentes… Vão parar! Vamos, falta pouco! Óptimo, o guia está à frente do chefe e pode ajudar também.
Falta pouco para o princípio de um pesadelo ainda maior
E cumpriu-se o plano. Inteirou-se o chefe e o PP da situação; o guia prontifica-se para seguir para Zagora para alertar a polícia.
A Júlia salta para o UMM, o Amândio vem para o Terrano e aí estamos na estrada de regresso à estrada de Rissani.
O chefe conduz a ML tem os sentidos ‘todos acesos’. Atenção… estão lá adiante… pára! Está um corpo no meio da estrada! É horrível!
O Amândio leva o Terrano para fora da estrada e, muito lentamente, ultrapassa o local onde se deu o acidente e vai juntar-se aos quatro jipes parados na berma.
Inexplicável! Como estão os quatro parados antes do corpo? Simples, o João Machado explica:
Vinham todos a andar bem, havia umas pessoas na berma da estrada, passou o primeiro Korando e uma camponesa com um molho de verdura às costas, corre a atravessar a estrada a olhar para o carro que tinha passado e sem ver o segundo Korando.

Tempos passados compreendeu-se como é que um condutor se desvia de um peão para o lado para onde ele corre. Era fatal apanhá-lo, primeiro com o guarda-lamas e retrovisor e depois enrolando-o debaixo da carroçaria, fazendo aquelas medonhas fracturas expostas e imprimindo no cadáver tal desfiguração que só será possível ser imaginada por um qualquer Frankenstein.
Não estivesse o condutor debaixo do efeito «daquela coisa que faz rir», que a ele agora fazia chorar mas que ao companheiro ainda fazia rir e o passar por detrás do peão teria evitado esta situação dramática para todos os companheiros. Mas Marrocos faz disto à juventude!!


Depois do embate o Korando empreende a fuga e é o João Machado que o ultrapassa e o faz voltar para assumir a situação.  Todos em caravana invertem a marcha mas a pressão é tanta que nem vêm o erro de colocarem os carros antes do acidente, local onde os fomos encontrar.
À beira da estrada estarão nesta altura uns 20 ou 30 ‘mouros’, todos de ‘djelabas’ iguais  rodeando um outro que se via logo ser de condição superior, que falava francês e que muito útil nos foi como interlocutor e testemunha.
O ‘chefe’ tranquilamente acercou-se indagando das providências que já tinham sido tomadas e informando que o guia que nos acompanhava já tinha seguido para a Gendarmerie de  Zagora a pedir ajuda.  A Jurisdição era de Rissani e já tinha sido dado conhecimento às autoridades e pedida uma ambulância. Havia que aguardar… E os ‘mouros’ têm todo o tempo do mundo! Os dias são todos iguais do nascer ao pôr do sol… para além de umas preces a Allah nas horas certas, nada mais para os fazer mover.
E o tempo lá continua a passar, devagar, devagarinho, quase parado, mas as sombras do fim do dia já começam a estender-se. Vão chegando cada vez mais ‘mouros’, serão 50 ou 60. Assustadores, todos iguais, nas tais sombras do fim do dia e o ‘chefe’ no meio deles, tranquilo, dialogando. Consulta o tal de condição superior da possibilidade de mover os carros e pô-los em concordância com o acidente e de ir um deles embora para dar noticias nossas ao resto do grupo.
O «savoir faire» do ‘chefe’ resulta. O Terrano da ML  é colocado antes do acidente para que todos compreendam que ninguém vai fugir. Os outros passam por fora da estrada e vão parar logo após o corpo. Com um suspiro  a ML vê o Niva com o Filipão partir para junto do grupo saindo da «cena de terror».
As sombras são mais longas, é sol-posto. Virada para Meca toda aquela multidão faz as sua orações. O que deveria parecer tranquilo e reconfortante é simplesmente tenebroso.
Pela mente do ‘chefe’ já tinha passado a interrogação – e se um destes gajos decide dar-me a primeira navalhada? Virá outro, outro, outro, são tantos e todos iguais… no fim, não terá sido ninguém! Como irá ser? Vou cair às mãos deles? E a polícia não vem, e o guia terá feito alguma coisa.
O pouco trânsito faz-se por fora da estrada; agora é um camião que se desvia, ao passar junto ao pessoal dos jipes estacionados faz com a mão um significativo gesto de fugir seguido de outro de cortar a cabeça. Agora já ninguém ri! O resto «daquilo que faz rir» ficou debaixo de uma pedra na berma da fatídica estrada.


Umas luzes vindas de Rissani – é finalmente a polícia. O ‘chefe’ respira, lá se safou da prevista navalhada. É o graduado com quem esteve conversando na povoação quando foi feito o abastecimento dos gasolinas. Simpático, profissional e cooperante. Foi uma das nossas objectivas que fotografou o corpo e foi suficiente a palavra do ‘chefe’ de que, na manhã seguinte, faria entrega das revelações na Gendarmerie de Zagora.
Mas o pesadelo ainda não terminou, chegou a ambulância vinda de Zagora, (uma Renault 4L) levantou o corpo e fez uma pira fúnebre no local de onde o retirou. Na berma da estrada outra fogueira (de quê nunca conseguiremos saber) A multidão agora menos silenciosa, as fogueiras ardendo na noite de breu, um arrepio, não só do frio da noite como do adejar da morte que nos tinha roçado.
E a lição… Um jovem, quase um garoto, aproxima-se do Terrano com ar grave. Com espanto a ML escuta o que ele lhe diz em francês «senhora, não esteja triste, vocês não tiveram culpa, ELA foi chamada, tinha que ir, ela está com Allah».

Finalmente estamos de novo na estrada e vamos reunir-nos aos nossos companheiros. Espanto!! Ainda estão no sítio onde deixáramos o primeiro, encolhidos uns contra os outros como passarinhos enjeitados. O guia Larby que, confessou, num primeiro momento decidira fugir e deixar-nos à nossa sorte, tomara consciência e lá tinha regressado até junto de grupo depois de uma passagem pela Gendarmerie de Zagora.
Em todas as situações dramáticas parece haver sempre uma pausa para ajudar a suportar a tensão. A pausa deu-se. O Larby ao acercar-se do grupo foi logo interrogado sobre o ponto de situação. Não podendo dar informações concretas porque não tinha estado no local do acidente, mostra-se contudo muito satisfeito exibindo uma carta do ‘seu primo’ Chefe da Policia de Zagora, dirigida ao homólogo de Rissani, em árabe, pedindo a sua colaboração na resolução do assunto.
A fleuma não britânica mas portuense do nosso companheiro Roças deu para comentar «que sim, que estava muito bem escrita… não tinha erros», motivo de risos (bem amarelos) de todos os presentes.
Vá cambada, vamos seguir para o oásis de Zagora no Vale do Draa e, como estamos todos juntos, já não é preciso parque de campismo --- vamos desfrutar de um belo hotel destes ‘mouros’ que até já sabem o que é civismo.


Houve quem desfrutasse menos. Para quebrar o stress as garrafas que estavam guardadas no cofre do UMM foram descobertas pelo PP e …consumidas…Ao chegar ao Hotel, alguns sem saberem como, houve quem ficasse a dormir no Patrol, quem fosse para o quarto e quem fosse para a tenda berbere onde a chuva torrencial dessa noite entrou a rodos «mas não perturbou» quem a recebeu em cheio. Tal era!!

A NOSSA MEMÓRIA É ASSIM – O TEMPO DEIXA NARRAR A PERDA DE UMA VIDA JÁ SEM EMOÇÃO.
MAS A LIÇÃO FICOU PARA TODO O SEMPRE

De resto foi inequivocamente uma viagem < de todos os sentidos > 
imagens e cheiros vão durar para sempre nas memórias
experiências e sensações
medos e desafios...


                       







LISBOA /GUINÉ-BISSAU/PORTO - 2ª Expedição (1996)      
                                                                                                                                                                                                                                 CRONICA  DE UMA EXPEDIÇÃO (excerto) 
                                                << que afinal não saiu de Marrocos>>





PERDIDOS NO DESERTO! O P.P.(Pedro Pombo co-piloto do UMM e do chefe) e o GPS dizem que não!
Areia, dunas, mais areia, mais dunas e assim se fez noite (bendita noite, sem lua que hoje achou melhor não aparecer).
O Rui magoou-se num pé, o terreno é mau. VAMOS DORMIR. Há quem não monte a tenda nem jante. Como vamos conseguir sair daqui?
E MAIS UM DIA
Bem cedo, luz o buraco, espanto total... estamos numa imensa planície cercados por montanhas ao longe (na véspera julgávamo-nos num desfiladeiro!); são horas de café e ir andando. 
De novo porcos e feios iniciámos a marcha para logo voltar a parar.  Passagem? Por onde?





  O Joãozito, com a moto do Pedro (o Pedro conduzia a do Rui) foi tentar. Más notícias --- por ali não se passa.  Não assumo a responsabilidade de mandar os jipes por ali para ficarem atolados.
O chefe investiga mais além. Há que economizar combustível. Vai o UMM em exploração. Volta 2 horas depois. O único caminho é o reprovado. Lá vai ter que ser!
PASSÁMOS!
Na investigação, camuflados no pico de uma das montanhas, o chefe e o PP observam no vale, uma mota com side-car e uma metralhadora montada (tipo mota nazi da Grande Guerra). Era uma patrulha da fronteira argelina.
E o P.P. e o GPS tinham razão, o CIEL BLEU (junto a Khemilia) de novo à vista, com um erro de 90 metros nos cálculos num troço de mais de 100 kms. Mostrou-se compensador ter apanhado as coordenadas na primeira passagem.
E foi bom ver aquele povo meio nómada que nos recebeu com chá de menta e tantãs, sentir a sua alegria em nos acolher nas humildes khaimas e cabanas de adobe. DAQUI NASCEU A VONTADE DE VOLTAR… VOLTAR SEMPRE… E RETRIBUIR A SOLIDARIEDADE

7º de cavalaria!

Range Rover nunca atola... mas foge à areia solta

Despertar de uma noite para lá da fronteira da Argélia



 

LISBOA /GUINÉ-BISSAU - 3ª Expedição (1997)    

A GRANDE ODISSEIA 




                         
 IMPREVISTOS 

                                                     
Sahara Ocidental – 40 kms. da entrada de Dakhla a última cidade de Marrocos (posto de controle policial no cruzamento de saída para a fronteira)
                                                                                 
Percurso cumprido e comprido, primeiro controle policial/alfandegário e aí está o nosso big-chief AMANDIO em sérios apuros. Oh Leonor – viste a minha carteira? Oh Helder -  apanhaste a minha  carteira de cima da pedra quando parámos para pôr combustível e outros fins?  Ena pá c’a ganda merda!

Leonor versos Helder, Helder versos Leonor -  O  Musso é o mais rápido, com  menos peso tirando as mulheres e que gasta menos.  Leonor – Helder, foi ao Km. 269. Bora!

E assim se cumpriu.

Quilómetro 268, devagar pode haver diferença entre os quilómetros marcados pelo Patrol e os do Musso, quilómetro 270, 271, 280.
Leonor volta, não pode ser tão longe. Devagar, quilómetro 260, tem que ser para trás. Vai fora da estrada, eu penduro-me no carro a vêr de encontro a mancha do gasóleo que se entornou. Pára, quilómetro 268 eu vou a pé a vêr se encontro a pedra onde o Amandio pôs a carteira.
Helder, já não há tempo, temos de regressar.

Éh pá Leonor, só mais uma passagem, agora guio eu. E não encontramos a «filha da fruta» da carteira e o «gajo» tem lá os visas e os documentos dele, está feito!
Olha ainda bem que o passaporte, as vacinas e a carta de condução internacional não cabiam na carteira, senão é que estávamos mesmo feitos. Helder, vamos embora!
Oh pá Leonor custa desistir «a gaja há-de estar por aqui».
Deixa Helder, vamos embora, o tempo é à tira para estarmos lá à partida do «convoi»; no regresso voltamos a procurar e a não ser que algum ‘camelo’ a encontre, ela fica à nossa espera.

Helder! Estás bem? Vamos regressar; levas o carro e vamos a ‘abrir’? 
Ok. Leonor. Vamos nessa!

Minutos depois diz o Helder ao olhar os manómetros do tablier do Musso:
Leonor! Qual é a autonomia de combustível deste carro?

Olha, varia, já deu para quase oitocentos quilómetros e já deu para pouco mais de quinhentos.
Leonor! Faltam-nos para aí duzentos e estamos quase na reserva! Merda! E agora?
Oh Helder agora reduz essa gaita para as duas mil rotações senão ficamos na estrada.

Oh pá, a cem levamos mais de duas horas e temos quarenta minutos para lá chegar a tempo do embarque e ainda temos de abastecer.
Helder, escolhe: ou não chegas – tens de esperar que apareça um gajo que dê combustível ou reboque; ou talvez chegues e esperes pelo “convoi “ do fim da semana.
O que são duas horas na vida de um «convoi»?

OUTRO DIA
 Manhã cedo, acertar coordenadas no GPS, trocar conhecimentos com elementos de uma organização espanhola que se dirige ao Senegal com a oferta de duas viaturas NISSAN TERRANO II, e preparar para partir rumo à Mauritania.


 Dakhla / El Argoub / La Gwira  ( fim do reino de Marrocos)

O trajecto é por pista com alguns restos de alcatrão do tempo dos franceses. As autoridades decidem fazer a divisão do «convoi» em duas partes dado o grande número de veículos. Aquecer os motores e em marcha na primeira leva a uma velocidade bastante aceitável pois houve o cuidado de seleccionar os veículos mais rápidos.

O DESERTO MINADO

O Chefe decide: a Leonor precisa ir para o Range Rover acertar o GPS para o regresso,




portanto, o Carlos (co-piloto do Range e do chefe) vai para o Musso da Leonor. A Rita (co-piloto do musso e da Leonor) decide ir para o Patrol fazer companhia ao Pedro. O Helder (co-piloto do Patrol e do Pedro) vai pilotar o Musso. Tudo bem… até que 

Chegámos ao posto de fronteira do forte 86 La Gwira; falta o Patrol e o Musso! Bom, vamos ter que esperar.

VEM LÁ O PATROL!
Viram o Musso? …  Não ! Nós atrasámo- nos porque tivemos que parar, entretanto o Musso ultrapassou-nos e nunca mais o vimos, pensámos que estavam já aqui todos à nossa espera.

O Chefe decide tratar das formalidades com as autoridades para adiantar a saída de Marrocos. A opinião dos soldados é tendente a tranquilizar-nos; - não se ouviu ainda nenhuma explosão, portanto ainda não lhes aconteceu nada e se eles só se atrasaram são encontrados pela segunda metade do «convoi». Mais, não passaram o controle rumo à « Terra de Ninguém» pois os respectivos passaportes estão ainda em poder do soldado que nos acompanhou e ninguém passa sem receber o passaporte.

Tranquilizemo-nos com estas informações, aqui a autoridade é infalível.

Oh! Malta! Os gajos Espanhóis dos Terranos estão a voltar para trás; o que se terá passado? Vamos cuscar!
SIMPLES! Esqueceram-se de ir buscar os passaportes!!!!
                                                                                              

ENTRETANTO:

O Musso e o Helder realizam que se perderam. Assim, combina-se com os companheiros de aventura Carlos e Linda assinalarem o trajecto e voltarem para trás.

Neste meio tempo o Helder anuncia ir procurar uma rocha semelhante à que o Amândio encontrou em Marrocos (mas promete não lhe pôr a carteira em cima). A História não chega a contar se os intentos foram conseguidos; desconhece-se se a descoberta imediata de um objecto não definitivamente identificado, mas igualzinho a uma mina enterrada na areia e destapada  pelo vento, foi antes ou posteriormente a ter encontrado a  tal rocha.

O Helder deixou Tshirts (que no regresso não encontrámos) e garrafas vasias (essas sim estavam onde tinham sido deixadas) para assinalar o percurso e, em marcha-atrás, pisando religiosamente o rodado anterior voltou até encontrar as pistas que nunca deveria ter perdido de vista.

O Helder não ganhou para o susto e jurou a si próprio nunca mais na vida querer ter uma dor de barriga;

O Carlos começou a sentir que o «soutien» lhe estava a ficar um pouco apertado;
A Linda, convencida de que o Helder tinha visto um lagarto, teve um faniquito.

  
MISSÃO CUMPRIDA, O REGRESSO E AS MESMAS DIFICULDADES E OUTRAS


Dos inicialmente previstos seis jipes e 13 participantes, estávamos reduzidos a três viaturas e seis participantes.
O Range Rover 3.9 Efi do Amândio queima o electrónico da ignição e, sem recuperação  depois de 580 kms à corda e sendo impossível continuar a rebocar pela pista da praia, é deixado para trás na Mauritânia.

Manter a esperança, demonstrar calma e tranquilidade, criar um ambiente alegre e sadio. TODOS, mesmo todos, apelando à sua juventude, consolando-se mutuamente por termos tomado uma resolução e já estarmos de regresso ao nosso querido Portugal e aos braços dos nossos parentes e amigos nesta altura já informados da nossa odisseia e de que estamos bem. 
PARTIMOS de NOUAKCHOTT rumo à «ESTRADA MARITIMA DA MAURITANIA», à TERRA DE NINGUÉM e a seguir MARROCOS, numa viagem demorada e carregada de imprevistos.

 
ALCANÇAR MARROCOS

A habitual espera, os funcionários semi despidos estiraçados em tarimbas, moles pelo calor, pouco entusiasmo mostraram em nos despachar. Conversa também mole do Chefe, umas HEINEKEN semi-moles (a arca frigorifica pifou) e lá se conclui que não podemos sair ‘sem uma autorização do chefe de alfândega’ por causa do carro que está averbado no Passaporte e que não está para sair. Bendito, Range Rover que depois de abandonado ainda nos causa sarilhos!

Vamos ter de sair da Mauritânia «a salto» Informamos os agentes de alfândega de que vamos regressar a Nouakchott (para não levantarmos suspeitas)
O trajecto da fronteira para Nouakchott ou para o DESERTO MINADO era o mesmo durante cerca de 20 kms. Nessa altura, far-se-ia uma viragem radical no percurso flectindo para norte e entrando abertamente no deserto.

E ERA QUASE FIM DO DIA. O crepúsculo que se avizinhava anunciava para o dia seguinte um novo dia de sol e calor. Interiormente interrogamo-nos sem deixar transparecer qual poderá ser a resposta - SERÁ QUE AINDA VAMOS VER NASCER ESSE DIA?

Arranja-se um Guia mauritano que conhece a Terra de Ninguém. O Guia reúne os condutores e dá instruções:

-          Os dois jipes devem seguir muito perto um do outro. Não acender luzes ou sequer os stops, o segundo carro deve proceder exactamente como o da frente, seguindo religiosamente o mesmo rodado e à mesma velocidade. ATENÇÃO UM LIGEIRO DESVIO PODE QUERER DIZER O FIM DE TUDO.

-          Nas primeiras horas vamos atravessar deserto Mauritano e por vezes vamos ficar visíveis dos fortes e ao alcance das armas. Há que rolar VITE! Há ainda o risco de encontrarmos alguma patrulha, pelo que há que estar alerta para a ordem de PARAR.

-     Quando atravessarmos  a linha do comboio para norte ficamos em MARROCOS .
Mantem-se o perigo de sermos vistos agora pelos fortes e armas marroquinos.
E partir dessa altura o Guia corre sério risco pois se formos apanhados ele é preso por entrada ilegal no país.

Feito o ponto de situação – AÍ VAMOS NÓS EM PLENA AVENTURA. ESTÃO TODOS PROIBIDOS DE PENSAR!

VITE…VITE…  VITE…  TOUT DROIT A TOUTE VITESSE!   

ARRETÉ Á  GAUCHE DE LA DUNE!           TOUT EST BIEN. ?  VITE…VITE…

E o HELDER desligou o fio dos stops dos jipes e sem luzes, sem fumar, sem ver sequer o caminho por onde seguíamos, numa total ausência de pensamento, isolados na Terra de Ninguém ficamos sob vigilância do Forte 86. Acabaríamos por só obter a autorização de entrada em MARROCOS e integrar o ‘convoi’ na terça-feira seguinte.
Foram muito duros os dias de isolamento. O estarmos sós no meio do nada,  com carência de tudo o que faz o nosso habitat usual, pensando nos nossos familiares que não têm notícias nossas há uma semana e nos empregos onde alguns já deveriam estar de regresso foi indescritível.

Finalmente o Sahara Marroquino

UM ULTIMO SUSTO

A LEONOR ao volante do MUSSO imprime um andamento rápido mas tranquilo. Tem os sentidos todos em alerta porque embora haja pista, não é fácil. ATERRADOR! Acaba de dar conta pelo retrovisor de que um enorme helicóptero amarelo se aproxima com as pás de aterragem pouco acima do seu tejadilho. O coração ou pára ou tenta saltar pela boca. O aparelho já sobrevoa o jipe, o barulho é ensurdecedor mas ele continua a sua trajectória, sobrevoa muito baixo os carros  e segue, segue sempre. Huff!

UMA HISTORIA QUE PODIA SER UMA LENDA
Já é noite e está um vento marítimo muito frio. Parámos na área de serviço ao lado do cabo TARFAYA para abastecer e comermos.

Reboliço por causa de um som semelhante ao grasnar das gaivotas e eis que surge a LINDA e o CHEFE com uma coisinha parda na mão com uns olhinhos pretos vivos e umas orelhitas espetadas tal qual um morcego.



A LEONOR arrepia-se (do frio ou do bicho) e berra … tirem-me essa m… daqui!


Diz a LINDA: oh Nôr é um gatinho!

Qual gatinho isso é um morcego mas se for um gato, desse tamanho, não tem hipótese, está morto. Tirem-me isso daqui!

Oh Nôr coitadinho! E a LEONOR lá pega um pedaço de miolo de pão que esfarela e que o pequeno animal com a própria saliva molha e engole. A FOME E O INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA SÃO ESPECTACULARES.

O prestimoso funcionário da ATLAS SAHARA no seu marroquino vernáculo, com muitos gestos explica que a mãe do gatinho foi esborrachada e ele vinha agarrado às redes de uma camionete.

Assim adquirimos mais um companheiro. Embrulhado num lenço e metido no peitilho das jardineiras da LEONOR lá concluiu a viagem e foi um ilustre componente do mundo gatal português, aceite pela respectiva comunidade e de nome TARFAYA. Tornou-se na mascote mais querida da LEONOR 

E companheiro do Amarelinho a quem abria porta.




RUMO A TAN-TAN PLAGE   -  CHEZ DIAWO

São duas horas da manhã quando paramos à porta dos nossos amigos. No mesmo momento a porta abre-se e o DIAWO aí está a receber-nos de braços abertos.

Este homem aguardava-nos ansiosamente dia após dia, noite após noite há mais de uma semana. O receber-nos àquela hora, vestido, fez-nos compreender quanta ansiedade tinha por não saber de nós. Grande amigo o DIAWO, criado por um português aprendeu o significado da amizade e da hospitalidade. BEM HAJAS! <<<<Nota posterior: Janeiro 2012 - No regresso do Dakar  Challenge Janeiro 2012  vimos sair para o hospital o nosso querido Diawo. A despedida definitiva.


A Mina, mãe de três crianças, não teve preguiça de se levantar para nos abraçar e tentar ser útil. E foi-o! Arranjou leite do bebé para, com uma seringa da mala de emergência médica, a LEONOR dar mama ao TARFAYA (que assim foi alimentado durante toda a viagem e até ser homem, aliás, gato)


 








 finalmente
  
...chegamos



UMA HISTORIA SEM HISTORIA 2000 - 5ª Expedição (Excerto)

Depois da travessia de  Marrocos


Depressa chegou o DESERTO  com os seus trilhos e a sua imensidão.  Uma vez mais os  catre-catre em linha, com os faróis acesos

                                                                 
Um salto maior e lá começa a grade da L200 a chiar.  Pára CHICO ! A Leonor faz sinal ao ‘CHEFE’  que podem seguir, está tudo bem.

NÃO ESTAVA NADA!  CHICO, TERESA E LEONOR  vamos lá a apertar a grade, a meter duas cordas e a perder de vista o resto da EXPEDIÇÃO.

SOZINHOS NO DESERTO
A Strakar e a complicada grade de tejadilho


Diz a TERESA:  NÔR  SABES O CAMINHO, NÃO SABES?

A Nôr não sabe!       Há-de ser algures, à direita da grande DUNA , por uma daquelas pistas.    No problem!


O SOLEIL BLEU fica perto da grande DUNA e basta seguir a sinalização (!) para lá chegar.    FOI FACIL.

O Grande CHEFE descansou a sua consciência mandando dois catre-catre  com dois ‘nativos’ à procura da L200.  Regressaram mais de meia hora depois sem,  obviamente, nada terem encontrado (pelo menos a L 200 não encontraram)

A AJUDA HUMANITARIA

Chegada ao SOLEIL BLEU , um almoço piquenique .

O Hassan  Hannam nosso anfitrião de anteriores odisseias, leva-nos a Khemilia para a entrega dos bens que lográmos carregar  por  1500 kms. SEM SERMOS DESCOBERTOS POR POLICIAS E POPULAÇÕES CARENTES.

Khemilia  é uma pequena aldeia de NEGROS,  antigos escravos trazidos do sul  e  LIBERTADOS PELOS BEDUINOS quando foi proibida a escravatura.  Vivem da pastorícia de alguns poucos dromedários e da procura e recolha de fósseis na região. A venda de tapetes artesanais aportam um mínimo de meios de subsistência.

Como era esperado, fomos recebidos pelo CHEFE (um ancião comovido), na  sua ‘sala de acolhimento’ onde  foram colocados tapetes para nos sentarmos e servido o tradicional   CHÁ DE MENTA.


O nosso guia Hassan  fez uma explicação das origens do povo que nos rodeava e traduziu do seu CHEFE o convite para no mês de AGOSTO visitarmos a aldeia  durante os seus festejos anuais.  Explicou que durante uma semana os nativos repartem com todos os visitantes a sua comida e recebem-nos com alegria efusiva  com o objectivo de ELIMINAR TODOS OS TRAÇOS DE RACISMO ENTRE OS POVOS QUE CRUZAM O SEU TERRITORIO.




FOI FEITA A ENTREGA DOS COMPLEMENTOS ALIMENTARES E DOS MEDICAMENTOS. O nosso MEDICO DE SERVIÇO  deu indicações sobre a forma de utilização dos medicamentos (de uso corrente) e informações que considerou de interesse.
                                                                          


No meio de muita alegria (como é habitual) foram distribuídos CASKET’S  da AXA , BALÕES, BOLICAOS DA PANRICO e REBUÇADOS da LUSITECA.

Já noite, felizes, regressámos ao SOLEIL BLEU para um jantar Marroquino, acompanhado do já afamado BIDON e seguido dos tradicionais TANTANS e danças.  Regista-se que neste momento da EXPEDIÇÃO já havia participantes transformados em marroquinos  (ISTO É, COM AS SUAS VESTES E ENFEITES)


FOI CONCLUIDO O OBJECTIVO DA EXPEDIÇÃO COM SUCESSO.      




SAHARA_CHALLENGE 2001
    6ª. Expedição  (excerto)
A travessia do grande Sahara Ocidental  para cumprir uma promessa
PASSAGEM INEVITAVEL POR KHEMILIA
         

distribuindo bombons às crianças de Khemilia


Uma passagem pelo Bazar e um almoço (pizza marroquina) na casa de família  Hassan


Aos mais atentos foi apresentada a mãe e irmãs e, a todos, até aos que não foram a Khemilia, na sua sala, servida a refeição.   Para os que não sabem, tratou-se de uma grande distinção pois, não obstante a tradicional hospitalidade árabe, a família não é normalmente exposta a forasteiros e a privacidade das suas casas só é quebrada por convites a pessoas de grande prestígio.
                                                      
AS DUNAS DE MERZOUGA (Erg Chebi)


Este sim é o santuário do todo-o-terreno.  Dunas que, se não são transponíveis, pelo menos, deixam ‘descravinar’ nas suas faldas os nossos irrequietos ‘pica na areia’.  
Pistas que se perdem de vista onde os incautos fazem os seus 4x4 saltar como gamos (às vezes com sacrifício das próprias máquinas). 


Assim se cumpriu.



Depois, ainda no CIEL BLEU, jantar e ó-ó que amanhã, depois de ver nascer o sol na grande duna,  voltamos cedo à estrada.

Reg - o deserto de calhau
Temos 2.300 Km para o destino  (depois só falta o regresso...)




.  MERZOUGA e 

.  O  «ATLAS»
ATÉ OUARZAZATE 


CHEGAR DE NOITE – MANHÃ DE COMPRAS

TARUDANT - AGADIR - TIZNIT - GUELMIM

.  «EL OUATIA« (TAN-TAN PLAGE) 


E REVER VELHOS AMIGOS


.  «… E QUEM QUISER PASSAR ALEM DO BOJADOR…   TERÁ DE PASSAR ALÉM DA DOR…»







  


    


     


O CAMINHO DO SACRIFICIO – DAKHLA  E A HORA  DAS  GRANDES  DECISÕES:             SEGUIR?
 OU 
 REGRESSAR?


.  O FORTE EM BIR GUENDOUZ – ATÉ NOUAHDIBOU

.  A AJUDA HUMANITARIA EM NOUAHDIBOU – A  SENHORA  KHADI

.  REGRESSO A BIR GUENDOUZ – AVENTURA NA TERRA DE NINGUÉM

.  DE PASSAGEM  POR EL OUATIA  -    MARRAKECH - MOULAY BOUSSELHAM

.  TANGER -TARIFA - PORTUGAL



Não obstante esta viagem à Mauritânia ter sido devidamente programada e cumpridas todas as formalidades prévias a mesma só se concretizaria depois de reunidas condições especiais de facilidades segurança.  Todas estas acções, como é compreensível, têm de ser altamente sigilosas e só já em DAKHLA, devidamente concluídas.

 A HORA DAS GRANDES DECISÕES

Estamos a pouco mais de 300 quilómetros do objectivo.  Falta-nos somente ‘alguém’      que prometeu vir buscar-nos e trazer a Marrocos.
Encontrar esse ‘alguém’ é a dificuldade.  Houve há poucos dias uma alteração nos  números de telefone da Mauritânia.  É noite, não há a quem recorrer para obter essa alteração (estamos em Marrocos).  Em desespero, somos quatro a tentar ligações dos nossos telemóveis, sem sucesso.                                                       
                                                                          

SEGUIR OU REGRESSAR

Sem contacto com a Mauritânia estava comprometido o êxito da nossa missão.  Não nos podíamos arriscar a avançar por nós próprios sem a garantia de podermos reentrar em Marrocos em 48 horas.
Queria isto dizer que, depois de termos feito o sacrifício de chegar tão perto,  termos de desistir.
Não havendo mais alternativas conseguiu-se, já em desespero de causa, contactar o Secretário do Consulado da Mauritânia em Lisboa.  Também esse contacto não pareceu frutífero porquanto no dia seguinte, sexta-feira santa, o Consulado estaria encerrado.
O Chefe, sempre o último a perder a esperança, decidiu que, de manhã cedo, todos iriam tratar das formalidades para se seguir viagem, na expectativa de que entretanto algo acontecesse.



O incrível Grupo Amantes de África e as suas (Catrele) 4L solidárias


E aconteceu!  O senhor Secretário, afinal mesmo fora das horas de serviço, fez os contactos necessários.
Ao  chegarmos ao Estado Maior em DAKHLA encontrámos um (ruidoso) grupo de portugueses «OS AMANTES DE AFRICA E DA AVENTURA» , Núcleo do Alentejo, que andavam à nossa procura para nos informar que estava UM GUIA à nossa espera, como combinado.  Alívio dos alívios!  Afinal está tudo bem… quando acaba em bem!
Formalidades cumpridas no Estado-Maior, na Gendarmerie e na Alfândega e lá vamos alinhar, o mais à frente possível, no grande convoi militaire rumo a

BIR GUENDOUZ  (La Gwira)

Deveria sair às 14 horas.  Fizemos piquenique já na ‘fila’ e aguardámos…aguardámos… eles têm todo o tempo do mundo! 

Direcção EL ARGOUB e  começam as paragens.  Nada a fazer, podemos andar mais rápido para não dar sono porque entretanto fez-se noite, mas depois há que esperar  que cheguem os outros.  Uma das paragens foi tão longa que houve quem desembrulhasse o saco-cama e julgasse, ao acordar, ter dormido toda a noite. Mentira!
Lá se retoma a marcha, a noite é negra e, a ilusão que se conclui ser habitual por aquelas paragens,  parece que rolamos dentro de uma manga de plástico preto.  No regresso, de dia, a Margarida estava atónita por só ver uma planície desértica no lugar que de noite lhe tinha parecido uma floresta.

Finalmente O FORTE -  BIR GUENDOUZ
Chegámos.  Houve quem montasse tenda, houve quem dormisse  logo assim. Ainda lá estava o saco-cama desenrolado!  Os outros Portugueses também lá estavam montando o seu acampamento, mas não  houve tempo sequer para a ‘cervejola’ que nos tínhamos mutuamente prometido.
Dormir, dormir, dormir…  sob um  céu magnífico, carregado de estrelas ali bem pertinho, quase ao alcance da nossa mão.
E depressa se fez manhã e houve que levantar arraiais porque, a qualquer momento, hão-de  vir entregar-nos os passaportes e  partiremos logo de seguida.
Levou mais tempo do que se esperava… ou que se queria, mas finalmente… lá vamos nós ‘terra de ninguém’ dentro. 

Alguém dizia que não acredita em bruxas… mas que sabe que as há! Aqui passa-se o mesmo com as ‘minas’; ninguém acredita nelas … mas que às vezes explodem carros… explodem! Felizmente houve quem passasse tudo isto tão ligeiramente… que nem deu por nada!

...E aí está ele encoberto numa duna  - o nosso ABDALLAH


FINALMENTE NOUAHDIBOU E MISSÃO CUMPRIDA.



VAMOS REGRESSAR
e
o nosso amigo ABDALLAH  acompanha-nos até onde é possível (a mesma duna onde nos esperou à chegada).  Depois,  despedidas, recomendações e votos de boas viagem.  ESTAMOS ENTREGUES A NÓS PRÓPRIOS NA TERRA DE NINGUEM (diz o  Amândio) «campo minado» acrescento eu .

Fronteira da Mauritânia.  


Vamos passar a linha de comboio – do maior comboio do mundo, segundo se diz



 – para norte e ficar sob a jurisdição de MARROCOS


AVENTURA NA TERRA DE NINGUÉM

O chefe abre a caravana e recomenda:  « todos em linha, sobre o mesmo rodado mantendo –se juntos».

Pode registar-se que, nesta altura,  os participantes estavam já conscientes das dificuldades a enfrentar, não totalmente isentas de risco.  Para desajudar… ‘o ventinho’ que se vinha a sentir estava já a formar ‘tempestade de areia’ o que, para além de dificultar muito o andamento dos 4x4, cobria de imediato os rodados anteriores confundindo as pistas.
                                                       
Era muito fácil um  engano.  O chefe, levando 20 metros de avanço sobre a caravana (por razões de segurança ‘para a caravana’) perdeu o trilho e, embora na direcção certa,  deixou de ter pista.

Tinha a percepção, quase certeza, que no desvio/corte da pista  se deveria seguir num ângulo de 90º onde parecia ter havido rodados recentes. Impus tomar a dianteira e que me seguissem com as mesmas cautelas anteriores. Fui premiada, não pisei nenhuma mina e  estávamos de novo numa pista.

Serpenteámos mais um tempo no deserto contornando as dunas viajantes e… finalmente o forte marroquino.




1ª RAPIDINHA SAHARA 2001 - 7ª. Expedição

Agosto, tempo para merecidas férias diferentes.




Desfrutamos da tranquilidade das imensas planuras do norte, das gargantas profundas talhadas na rocha, no Todra e no Dadès, da agressividade das cordilheiras do Rif e Atlas,que parecem sempre desafiar-nos mas que conseguimos sempre ultrapassar, perdidas no horizonte deste país de tantos contrastes que é MARROCOS.


Frente ao Nomade Palace

Grupo (parte)





 








Num final de Agosto escaldante encontrámos uma terra castigada por quatro anos sem chuva. As pedras nos leitos secos dos rios pareciam querer estalar clamando por um pouco de frescura, tal como nós, debaixo da ponte, aproveitando com os nativos a pouca sombra e alguma água salobra de um profundo poço que a natureza, caprichosa mas clemente, deixou.


Almoço no Todra e encontro com Hassan

Revimos aqueles amigos que normalmente nos acolhem nos decursos das missões humanitárias da TTT, desta vez, mesmo em ar de férias sem a pressa que já nos começava a caracterizar…


Espaço de brincar










Não podíamos deixar de cumprir um ritual! Lá fomos até Khemilia só para levar brinquedos, guloseimas, uns tantos medicamentos, alimentos, amor e alegria. E outra vez houve um menino que ganhou o seu primeiro par de sapatinhos. Um menino igual a outro da expedição anterior, que também parecia um gatinho com cascas de noz nos pezinhos.


Menino de Khemilia
A alegria local foi tanta que se estendeu aos céus e os deuses do olimpo, provavelmente com o aval do profeta muçulmano, à guisa de bênção, soltaram grossas gotas de chuva que apagaram o pó e tranquilizaram os espíritos inquietos do deserto apaziguando o calor. A areia agradecida exalou o seu melhor perfume, ao longe a ilusão das miragens fez um fim de tarde inolvidável para todo o sempre.

Inolvidável foi também a noite, uma noite envolta num céu que só existe no deserto – um deserto que nos atrai e desafia mas que de noite se fecha em tabus que nem os próprios tuaregues ousam profanar…


O desafio do Erg paga-se caro...

Há os que saem a reboque

O perigo é uma constante

sujos mas contentes

As próprias máquinas parecem pactuar com o deserto, roncando e resfolegando mas não conseguindo vencer as dunas nem a areia quente do Erg que nos restou do dia escaldante. 

Indescritíveis as sombras e o halo quase terrífico de uma qualquer lanterna de um dos nossos que atascou afastado e procura reunir-se aos restantes para passar a noite.

O jantar e a prevista festa no oásis ficaram adiados. Connosco ficou o cozinheiro e o Hassan. O grupo e as máquinas vão aguardar o nascer do dia perdidos na imensidão do Erg Chebbi, tentando dormir e também atentos a todas as maravilhas da natureza traduzidas num simples rato branco do deserto a sair da sua toca para recolher os pedaços de bolacha que a Teresa lhe ia atirando



E fez-se dia; o TD5 tirou o Patrol do buraco onde se tinha enfiado, depois rebocou o Discovery com o disco de embreagem queimado através da pista até Erfoud. Surpreendentemente um mecânico com um kit completo da marca que, simplesmente, instalou a muito baixo custo.


O Patrol atascado fora do alcatrão 



Tivemos a noite seguinte no Hotel Tafilalet de Erfoud, um serão dentro da piscina de água morna e transparente, abençoada, outra vez, por grossas gotas de chuva.                   

Iríamos iniciar o regresso com paragem em Rissani para as comprinhas habituais, um picnic à saída da cidade 

e rumo a Ouarzazate
Souk de Ouarzazate à noite



Era a viagem das boas surpresas. Iniciamos já um pouco tarde a subida do Toubkal
(a montanha das montanhas).






É um percurso sinuoso e difícil mas espantoso de beleza. Fomos apanhados pela proximidade da noite em plena montanha.

O que de início nos preocupou acabou por se tornar totalmente aliciante. Encontramos um kasbah que nos pareceu desabitado mas que nos recebeu com uma hospitalidade única. 






Tivemos banho, vestes nativas, jantar, tantãs e cantares. Confraternizou-se muito, bebeu-se ainda mais e dormiu-se ainda melhor. O chefe calculou mal um degrau e, consequentemente, deu um mergulho. Como o chefe é pesado, bem, todos pensaram num terramoto! Sem problema!





Rumamos a Marrakech. De novo compras, agora na Grand Place Jmal Al F’naa.
                      



apreciamos o dentista, os aguadeiros, os contadores de histórias, os encantadores de serpentes. Jantamos num espaço místico ao som de um alaúde.

    Ohabitual Hotel Kenza recebeu-nos bem, dividiram-se os quartos disponíveis e 
tivemos o habitual pequeno-almoço junto à piscina.







Almoço buffet


O Frontera era tripulado por um casal em viagem de núpcias. De manhã o nosso companheiro queixava-se de fortes dores numa perna que o impossibilitava de caminhar.

 
Recepção Kenza com a Najate
A recepcionista do Kenza de imediato chamou uma fisioterapeuta que, sem obter resultados aconselhou a ida a uma clínica.  No entretanto e porque nada haveria a perder, um spray damala de emergência médica resolveu o problema em minutos e … desconhece-se se definitivamente.

Vamos em direcção à costa, todos anseiam por umas horas de praia


saídas da praia

e uns mergulhos no Atlântico. Vamos mostrar as marcas portuguesas em Marrocos nas cidades costeiras, El Jadida e Essaouira.

Depois, rumo a Moulay Bousselham 



A lagoa de Moulay Bousselham



A piscina do Hotel Le Lagon
e às belas fritadas de peixes com crevettes



Por fim Tanger, Algeciras e Portugal.


As férias mais marcantes de sempre terminaram.







 FIM DE ANO NO S
AHARA Morocco 2002/3 - 2ª. Rapidinha   - 9ª EXPEDIÇÃO





Fomos viver a paixão do deserto passando de ano num oásis e comprovar se a magia dessa noite é igual a todas as outras noites do Sahara.



http://www.hotelnomadpalace.com/




Fomos rever amigos – gente hospitaleira perdida num mar de areia, com dias e noites sempre iguais mas que nós vamos agitar e tornar diferentes. Fomos reencontrar aquela multidão de olhinhos sorridentes em rostos negros que gulosamente virão espreitar todos os cadeaux que a nossa presença anuncia.
Mas só alegria não chega… em Khemilia os bens deixados na nossa anterior passagem há muito que se esgotaram e são já uma saudade.
Desta vez, aos medicamentos de uso corrente, suplementos alimentares e alimentos, juntamos dentíficos e escovas, material escolar e sapatinhos de criança.

Vivemos «as mil e uma noites»

http://www.hotelati.com/

em ambientes  como nos habituamos a ver nos filmes das arábias, exemplo é o belo Hotel El Ati na estrada de saída de Erfoud para Rissani.















Os nossos companheiros eram estreantes do continente africano; decidimos entrar por Ceuta, seguir por Tetouan, Fes, Sefrou, Ifrane, Midelt, Erfoud Merzouga
e regressar pelo Valé do Draa, Zagora, Ouarzazate, Marrakech El Jadida,


 Essaouira,  Tanger.


Curiosidades:
Segundo dia de viagem vamos jantar e pernoitar em Sefrou.


É hábito os jovens juntarem-se aos turistas tentando ser prestativos e confraternizando. Mais uma vez assim aconteceu.
O nosso jovem de nome Said, com o seu conversar cheio de animação e gestos, por ter percebido que o nosso grupo tinha uma vertente humanitária, quis pedir a nossa ajuda para um seu familiar.
Do alto do jardim do Hotel avistava-se uma encosta rochosa que se assemelhava a edificações em ruínas.



Segundo o nosso amigo não ficaria longe da nossa rota e, segundo também o nosso amigo, tratava-se de um idoso com um problema num braço (percebemos que teria uma ferida que não sarava).
Conferenciamos e o Dinis foi de opinião que era nosso dever ir ajudar o idoso para mais se ficava em caminho não perderíamos muito tempo.
Parte a caravana com o nosso amigo à pendura (exultante de felicidade – estes marroquinos dão a vida por uma volta de jipe com os turistas!).
Era mais longe do que parecia e na nossa rota era pura ficção. A edificação afinal não era mais de que um grande rochedo com buracos escavados em habitações.(tipo Capadócia)



 Estranhamente não havia mau cheiro nem era desagradável a habitação/caverna onde entramos.
Gente muito humilde dobrada em vénia aos nossos pés. Logo desenrolaram tapetes para nos criar conforto e ofertaram o mítico thé a la menthe.
Começamos a avaliar as queixas do idoso tentando entender a lamúria da mulher. Foi-nos muito útil a tradução feita pelo Said para nos deixar boquiabertos.
Aquilo que o Dinis avaliou como resultado de um AVC já antigo foi-nos explicado como uma praga de mau-olhado que uma vizinha invejosa lhe teria lançado há uns meses.
Bom, perante a situação não havia que desarmar. Abriu-se a mala médica, ML e Dinis colocaram máscaras e luvas e lá se partiu para um tratamento de choque ‘ao mau-olhado’.
Uma caixa de comprimidos de Aulin, para tomas de manhã e â noite, uma embalagem de Reumongel, e a recomendação de friccionar 2 vezes ao dia.
Uma massagem pela mão de mestre do Dinis, 2 comprimidos de Tramal dados com o chá e à nossa partida já o nosso doente movimentava o braço sem dores. Milagres da medicina contra o mau-olhado!  Muito gostaríamos de saber o seguimento
Missão cumprida vamos regressar mas não sem primeiro acompanharmos a passagem do Paris-Dakar em pistas marroquinas



 AFRICA – Onde os outros não vão  2003 - 10ª.  EXPEDIÇÃO   (Excerto)

Depois de muitas contrariedades, bens arrumados, finalmente saída de Portugal, atravessar Portugal e Espanha sem maiores dificuldades para além de ventos forte e chuva intensa.


Paragem em Moulay Bouselham para aliviar um pouco o peso e deixar computador, cadernos, lápis, esferográficas e alguns bombons às crianças da escola




Atravessamos Marrocos verdejante no norte, admiramos os oueds a invadir as estradas e largas represas de água da chuva.

Vencemos as fronteiras do costume, rolamos com cadência  e atingimos na data prevista 

à pista do mar até Nouakchott


Zona de areia


Pista do mar - zona dos chious
Passado o Sahara e crentes de ter ultrapassado as piores etapas concluimos  estar enganados. A areia e os charcos de água que vínhamos encontrando não nos fizeram suspeitar de dificuldades no Sahel


Sahel - zona húmida de transição do Sahara para clima mais temperado 


Em Djama:
« Ir até à Guiné? Pensam que estamos brincando. Atravessar a Gambia? Nem pensem nisso – contornar a Gambia – não podem - houve grandes chuvas.

Não há passagem no Cacheu .

Temos que aceitar que a VIAGEM TERMINOU AQUI. Vamos regressar!» e CUMPRIR A MISSÃO NOUTRA ROTA

Na periferia de Nouakchott e por indicação do Abdalah, conhecemos em 2001 a Sra. Mint Moulknass empenhada em alfabetizar uma legião de garotos (filhos de pescadores pobres) a quem presta também alguns cuidados de saúde .
Satisfez-nos ajudar esta comunidade de pobres limpos ( o nosso chefe pegou mesmo num quase recém-nascido).



Fomos acolhidos ‘na família’ Abderrahman Imouzer – só quem conhece as tradições muçulmanas compreende o que é esta distinção. Pareceu-nos o retomar de outro dia já vivido no mesmo local.
Os sapatos ficam à porta. Partilha-se uma refeição, sentados no chão em tapetes, come-se qualquer coisa gostosa que não se percebe bem o que é, acompanhada com pão sem fermento que serve simultaneamente de talher.


É místico e diferente.  As mulheres que só falam árabe conseguem comunicar-se e num gesto que pretende demonstrar a aceitação e igualdade entre todas, pintam as mãos da Maufeitio segundo as tradições tribais. Essa pintura feita com heiné durou várias semanas e custou muita brincadeira à Maufeitio no seu regresso ao estaleiro da obra onde trabalha.

O limite do Sahara e o Sahel estavam alagados


Os nossos companheiros








Foi uma viagem alternativa ao programado mas não deixou de ser igualmente profícua e gratificante. Outro ano voltaremos à Guiné-Bissau.



 AJUDA A POVOS CARENCIADOS  CHALLENGE 2004 - 11ª Expedição (Excerto)






Foi KSAR EL KHEMILIA que norteou a preparação desta 11ª Expedição. O leitor atento das incursões da Turma Todo Terreno em África lembra-se que os objectivos dos respectivos coordenadores é sempre alcançar povos carenciados. Não especialmente aquelas situações de catástrofe mediática onde grandes Organizações Não Governamentais disputam a primazia de chegar primeiro e a que os «Media» dão destaquem mas, núcleos populacionais isolados «onde a solidariedade não é notícia».


KHEMILIA e as suas gentes estão há anos no nosso coração. Aquando do regresso de uma tentativa falhada de atravessar a Mauritânia, fartos de areia e de dunas, chegámos acidentalmente a esta aldeia e aí repousámos, compreendemos que os 4X4 poderiam servir para muito mais do que para «nos transportar» em aventuras todo-o-terreno.
Desde então a osmose deu-se entre (aventura + 4X4 + solidariedade) = «férias diferentes» levando-nos periodicamente até estas paragens, com bens de primeira necessidade, medicamentos, roupa, brinquedos e muita alegria.
Seguimos via Rissani até Merzouga, fazendo a pista até Erfoud para jantar no Hotel Tafilalet.












Já não nos surpreende que pouco depois da nossa chegada o nosso amigo «Hassan » surja do nada, 





recém saído das areias do Sahara.  A amizade destes povos é inigualável.

A Hospitalidade Árabe nada tem a ver com a Europeia – aqui um hóspede é sagrado e, se necessário a sua vida e os seus haveres serão defendidos com a própria vida do seu anfitrião. Também a retribuição da amizade é muito apreciada o que torna qualquer estadia extremamente agradável e repousante.

TODOS JUNTOS --- AMANHÃ ATINGIREMOS O  OBJECTIVO  DESTA  VIAGEM; AMANHÃ VAMOS CHEGAR A  KHEMILIA
Tudo combinado e pelas nove horas marroquinas o Hassan com o seu dromedário «LAND CRAISY» já nos espera.





Estava uma manhã fresca e agradável mas que fazia adivinhar um dia quente logo que atingíssemos as areias do Sahara.  Seguimos pelo alcatrão via Rissani até Merzouga. Também o deserto começa a ser invadido pela civilização e as «serpentes negras» disputam o tráfego das pistas.



Foi rápido e sem incidentes o trajecto até ao moderno e recentemente criado «dispensário» de Merzouga a que as populações chamam de «hospital». Alguns pacientes aguardam tranquilos, meios sonolentos na frescura da sala de entrada e só a nossa passagem os faz lançar um rápido olhar de curiosidade. Uma só mulher faz o trabalho misto de enfermeira, assistente social e planeamento familiar.
Parece competente mas com total carência de medicamentos e de material de penso; os seus armários estão praticamente vazios.
A nossa preciosa carga começa aqui a ser descarregada e vai minorar muito sofrimento e suprir muitas necessidades durante algum tempo.



Logo aqui parece que se formou um pacto silencioso entre os olhares de alguns dos participantes – vamo-nos empenhar em obter apoios para manter este dispensário a funcionar suprindo as suas necessidades básicas em antibióticos, anti-inflamatórios, anti-piréticos, analgésicos e material de penso (especialmente medicamentos infantis).
É isso! Medicamentos com prazo de validade que já não lhes permite serem lançados no mercado nacional, medicamentos com defeitos no embalamento, enfim… todo aquele desperdício das sociedades de consumo pode ser «reciclado» aqui, onde não há nada e há tantas carências. QUEREMOS sensibilizar as pessoas de boa-vontade que têm capacidade para, desinteressadamente, ajudarem os mais carenciados.
Algumas palavras, fotografias, promessas de não nos esquecermos da existência destas gentes, motores a roncar e alegremente lá vamos areias dentro até ao destino final.

Strakar e Navara <> sem herois a registar! 


Kim ou Sal?  Quem sdenuncia? 



AQUI ESTÃO REUNIDAS AS NOSSAS PAIXÕES:
AREIA – PISTAS – DUNAS – E PESSOAS

Rapidamente chegámos à aldeia e logo uma multidão esfuziante de alegria nos rodeia. As mulheres cercam a ML palrando na sua língua ininteligível; logo surge a «branca» 
  
Fatima de Khemilia


Fátima, conhecida pela mãe de “Hadija” que com o seu francês razoável é a nossa intérprete habitual.

As mães de Khemilia


















Em Setembro de 2003 estivemos em Khemilia. Talvez ainda reste na lembrança de alguns a fotografia do “chefe”  tendo ao colo o recém-nascido Hamed, filho da negra Fátima. Seis meses volvidos e aqui têm, de novo, o “grande chefe” com o pequeno Hamed, agora já um pouco maior.





A alegria foi indescritível e também a comoção dos expedicionários que nos acompanharam pela primeira vez.

Não é fácil encarar a simplicidade destas gentes, sobreviventes do deserto, que vivem no limiar do nada e mesmo assim são alegres. Fazem rufar os seus tantans dando-nos a sua música,






acompanhada por um «Thé a la Menthe», num gesto de agradecimento. O pouco que lhes levamos, para eles é muito e ficam felizes por saber que são lembrados por um mundo longínquo que não se fecha na ignorância da sua existência.

E foi dia de festa!
A comunidade aumenta – começamos a acreditar que em cada viagem teremos que encontrar um recém-nascido – a nossa companheira Cláudia emociona-se até às lágrimas e decide apadrinhar a pequena Tambat.  Aqui se documenta a alegria estampada no seu rosto, com a negrinha ao colo, logo após ter tomado aquela decisão.





As crianças estão na escola – se se pode chamar de escola a uma divisão de cerca de 16m2 feita em ‘adobe’, sem janela com uns tapetes no chão onde se amontoam talvez uns 40 miúdos com idades entre os 4 e os 8 anos e um mestre (que também é músico). 



Aproveita-se a tranquilidade da ‘escola’ para distribuir rebuçados e brinquedos pela criançada.  O nosso mais jovem companheiro de viagem «o Luisinho» que antes da partida tinha ensacado uma boa quantidade dos seus brinquedos – alguns deles de que mais gostava - fez questão de se misturar com os nativos e fazer ele mesmo a distribuição dando a cada um, conforme seu critério, o brinquedo que entendia. Foste um sucesso Luísinho e o Allah em que eles acreditam há-de trazer-te a recompensa pelo teu gesto.

Em Khemilia o marido da Fátima é enfermeiro militar e vem à aldeia regularmente. Vem-lhe destinada uma caixa de medicamentos para poder ajudar a esta comunidade em casos sem gravidade.
Em casa da Fátima e com todas as mulheres deixamos os alimentos, as roupas e o calçado que levámos para serem repartidos entre elas.



MISSÃO CUMPRIDA
Uma última fotografia, mais um adeus e uma promessa de voltar e são horas de seguir para o PALACE NOMADE onde nos esperam umas tagines berberes já um pouco torradas.


                            




















DUNAS, AREIA, AREIA. DUNAS  --- AQUI ESTÁ O CENÁRIO PORQUE ALGUNS SUSPIRAVAM E QUE OS FEZ VIR TÃO LONGE…


A propósito de enterrar-se na areia!… 


O nosso querido  doutor  «Aspegic» e a sua Navara ou    
      

O Hassan reclamou ao chefe da sua amizade. Não é de amigo deixá-lo nas dunas com o «grupo de picas na areia» cada um pior que o outro… Não apreciámos… não estivemos lá para ver mas que há fotografias com os 4X4 de joelhos … que as há; há!

mais propriamente o nosso querido Coronel Tapioca!
mas todos assentaram!

Hassan o «petit Touareg» que em 96 deu um curso (sem F.S.E.) aos participantes da 1ª. Expedição Guiné-Bissau, explicando a “crista da duna” e ensinando a “navegar” longitudinalmente num mar de areia,(erg) decisivo para enfrentar as horas de muito esforço, na época em que atravessar a Mauritânia com muitos quilos de carga por viatura, não era para todos, merece a gratidão de todos nós.
Não vamos narrar só o que houve de positivo. É preciso dizer tudo e deixar à consideração e opinião de cada leitor a apreciação também do que achamos menos bom.
Como já se disse Marrocos está actualmente em pleno desenvolvimento incrementando o turismo. As telenovelas brasileiras mostrando o lendário luxo árabe dos Kasbahs, as belas mulheres nos seus trajes e véus, adultera a realidade de um povo que, nestas aldeias Sarahuis, vive no limiar da sobrevivência e em que os véus dão lugar aos simples e negros mantos berberes.
O turista, não o amante de África, deslumbra-se com as belas paisagens, com as mudanças bruscas desde os diversos cambiantes de verde dos campos de cultura, às escarpadas montanhas agrestes e inóspitas, 


seguidas de planícies rochosas quais paisagens lunares, depois areias mornas sugerindo miragens de tufões e oceanos, até aos tranquilos oásis de palmeirais. Não está preparado para conviver com estas populações simples e hospitaleiras, que nos conhecem, que nos recebem como amigos, diria até, como




CASAMENTO BERBERE Hassan Hanaam e Khemilia 2004 - 3ª Rapidinha 
12ª EXPEDIÇÃO 






















A amizade desenvolvida ao longo dos anos premiou-nos com o convite para assistir aos esponsais do Hassan Hanaam ( le petit touareg le dernier célibataire como se intitulou), cerimónia reservada  familiares e amigos em que fomos incluídos em todos os seus rituais  





Coube-nos a honra de ficar na mesa (tapete)  do noivo,   perto de 50º C., rajadas de areia, ensurdecedor batuque dos tantãs, profusão de chá de menta e abundantes refeições  de tagine e couscous durante três longos dias.
Arranjamos oportunidade para discretamente rumarmos ao Centro de Saúde e Merzouga a entregar os medicamentos disponibilizados pela Roche.








Aproveitámos para visitar Khemilia, rever os nossos ‘pequenos’ levar alguns alimentos, guloseimas, roupas, brinquedos e batons hidratantes para as mulheres 


http://www.hotelnomadpalace.com/
(um mimo da Cris, a bela farmacêutica que integrava esta expedição)

Depois
O objectivo porque todos suspiravam… as largas pistas de areia, as dunas, os lagos secos,  areia…areia…areia, e também calhau (ao que parece descaradamente dentro da Argélia) 




Destino Tagounite e Mhamid (Erg Chegaga). seguindo as pistas para Foum Zgwid.

 




Depois Ait-Bennadou até Ouarzazate, mais umas pistas até o círculo de Amersgane com uma paragem em Tamakoucht para deixar computadores numa escola.



Mais umas pistas até Marrakech
com habitual jantar na Grand Place Jma al F'naa
para, no dia seguinte rumar ao Valée des Roses, 



     

      Ait Ben'Hadou
Kasbah Ait Ben'Hadou(património da Humanidade



         

                               


e o regresso a casa, uma vez mais, com a satisfação da Missão Cumprida, com sobressaltos, sustos, e imponderáveis pois, as máquinas sujeitas a ritmos que lhes são exigidos, por vezes dizem não - mas no fim tudo se resolve







Sahara grande Sul 2006 - 4ª Rapidinha - 14ª. Expedição 

   



De novo um grupo de aventureiros com as suas viaturas todo-o-terreno empreenderam mais uma acção solidária destino Khemilia.


E como habitualmente levaram na sua bagagem medicamentos de uso corrente (os que em Portugal são vendidos sem receita médica), alimentos infantis, cereais, leite e chocolate em pó, açúcar, pequenos brinquedos, bolas insufláveis, esferográficas, bonés, roupa e calçado de criança.
Para a maioria dos expedicionários foi o desvendar de um mundo novo, paisagens, cultura e modo de vida que, sem limiar de pobreza são a imagem da sobrevivência.





 AVENTURA NOMADA SOLIDÁRIA 2007 - 15ª.EXPEDIÇÃO (Excerto)

RIF   *  ATLAS   *   SAHARA 



CYBERESPAÇO AS PORTAS DO DESERTO iniciando a população escolar de KSAR EL KHEMILIA no mundo virtual da INTERNET 
Mais uma vez houve pessoas e entidades que, preocupadas em ajudar povos carenciados, aderiram à iniciativa, respondendo a um desafio novo  juntando equipamentos informáticos aos habituais medicamentos, suplementos alimentares, brinquedos, roupas, bonés, rebuçados que, há já mais de uma década fazemos regularmente chegar à aldeia de Ksar el Khemilia
Há exactamente um ano ficou prometida nova visita, porque durante todos estes anos acompanhamos o nascer e crescer de muitos meninos e meninas; é para eles que dirigimos esta acção – vamos ajudá-los a conhecer um mundo novo, levar-lhes novas tecnologias, mostrar-lhes que nos importamos com um futuro melhor apostando na aproximação dos
povos e das culturas


Estúdios Atlas na estrada de Ouarzazate

Uma noite no Hotel da Meca do Cinema Marroquino com muitas fotografias nos estúdios de grandes produções mundiais com Laurence da Arábia e Bem-Hur.

Desfrutamos Marrocos, primeiro pela costa por Moulay Bousselham e s sua imensa praia atlântica, depois as estradas serpenteantes através dos imensos prados e cearas até Marrakech, a sua grand place com o misticismo das mil e uma noites, depois em direcção a Ouarzazate (as chamadas portas do deserto em que nos tempos idos confluíam as caravanas de mercadores)


Acordámos no Tafilalet (Erfoud) depois de um jantar agradável, uma noite bem dormida e um pequeno-almoço buffet. Seguimos para visita às fábricas de polimento de fósseis


e algumas pequenas compras.

O Hassan

tinha ficado de nos encontrar aqui mas como era cedo e não era essencial o encontro partimos rumo a Rissani, pequena localidade sede de distrito e ponto de partida da nova estrada que conduz a Merzouga sem ser pelas pistas.



Fotografias; o magnífico pórtico da cidade, um passeio pelo souk, mais umas comprinhas e seguimos para Merzouga e daí para o Palace Nomade





(também já com estrada de alcatrão a 1 km.

 e mesmo a horas para uma «salade 

marrocaine»

com atum português e um«Capítulo»

Logo a seguir partimos para Ksar El Khemilia para completarmos a nossa Missão. Bem perto a «grand dune de sable rose» e a aldeia do povo Gnaua; a nossa querida Fátima já com a sua recém-nascida filha Ashna. Os outros,  Hamed e  Hadija felizes e deslumbrados com o reencontro.





Foi tempo de descarregar os jipes, de tudo o que era destinado a esta aldeia, em casa da Fátima que, como habitualmente procederá posteriormente à respectiva distribuição.



Deixámos para o dia seguinte, mais calmo, um almoço de couscous «chez Fátima» e a orientação do local e forma de criar o cyberespaço. Jogou contra nós o período de férias; por isso, foi decidido que Fátima e seu marido ficariam encarregues de, com o director da <Association des Gnaua>  programarem a utilização de 2 computadores para aprendizagem das mulheres da aldeia. Um terceiro computador ficaria entregue a Hassan Hanaam e ligado à Internet.
Conhecemos bem o Erg Chebbi, foi lá que aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das nossas incursões em Africa. Foi lá que apanhámos sustos, avariámos e rebocámos  jipes. Foi lá que passámos uma noite  esperando o amanhecer, um jantar e uma festa adiados num oásis.



No decurso da 5ª. Rapidinha 2007  deparámos com uma nova realidade:
As famílias nómadas que percorrem o deserto

Dunas em movimento


Pastorícia - uma das poucas formas de sobrevivência


… e o Hassan disse:
Lima, não podes ter medo… Allah olha por ti porque tu vais ajudar o povo de Allah ----------
Dúvida...<Conhecemos bem o Erg Chebi, foi lá que aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das nossas incursões em Africa. Foi lá que apanhámos sustos, avariámos e rebocámos  jipes. Foi lá que passámos uma noite  esperando o amanhecer, um jantar e uma festa adiados num oásis.>
- e eu vou contigo, Inch’Allah
ADRENALINA AO MAXIMO
Sem medo, só duas rodas motrizes, engrenada a quarta aí vamos a 80 km/hora, não rolando mas planando baixo nas areias do Erg Chebi.
Uma a uma foram visitadas todas as famílias nómadas que o Hassan conseguiu encontrar e entregues os sacos com rebuçados,  açúcar, chocolate e leite em pó, brinquedos e roupas. O sol do deserto ou o sorriso daquelas pessoas aqueceram-nos interior e exteriormente.
Rumámos depois ao lago formado pelas grandes chuvas e vimos o contraste deste deserto com o que nos acolheu em tempos quando levámos grossas gotas de chuva depois de sete anos de seca.

Missão cumprida, regresso ao Palace Nomade para iniciar a viagem de volta a casa depois do merecido descanso e com  tristeza deixar para trás mais uma vez o

grande e inolvidável deserto, sempre igual e sempre diferente. Não foi mesmo a volta ao mundo mas teve de tudo, suspense, arrelias, alegrias, surpresas mas especialmente calor humano, dever cumprido, ajudar quem precisa e muito,  especialmente rever aqueles AMIGOS, aquela gente simples e hospitaleira, receber  abraços sinceros e a partilha de muito AMOR que não conhece fronteiras ou cor de pele.








SAHARA GRANDE SUL 2010  6ª. RAPIDINHA  - 19ª EXPEDIÇÃO   




        TARIFA ▪ TANGER ▪ M. BOUSSELHAM

        M.BOUSSELHAM ▪ EL JADIDA ▪ MARRAKECH

        MARRAKECH

       MARRAKECH ▪ OUARZAZATE (Via Toubkal)

       OUARZAZATE ▪ ZAGORA

       ZAGORA ▪ (Pista)TINEHRIR ▪ ERFOUD

       ERFOUD ▪ (Pista) MERZOUGA 

       MERZOUGA ▪ MIDELT ▪ MEKNES

       MEKNES ▪ IFRANE ▪ FES

       FES ▪ CHEFCHAOUENNE▪ TANGER

       TANGER ▪ TARIFA  ▪ PORTUGAL


Uma viagem quase igual a tantas outras. Marrocos evoluiu muito nas últimas décadas graças também à modernidade do seu novo Rei. As pistas foram transformadas em estradas e estas em auto-estradas portajadas nos moldes dos tempos actuais na europa.  Só o seu Povo, tradições e crenças se mantém imutável e originou um episódio marcante

O grupo de voluntários cumpre mais uma missão humanitária nas areias cálidas do Sahara marroquino.

Um desafio não acessível a todos e cumprido sempre com esforço, muita alegria e todo o amor do mundo.  Tem contrariedades, às vezes frustrações mas atingido o objectivo nada há de mais compensador e gratificante.

Só por si, a viagem de milhares de quilómetros em viaturas 4x4, no asfalto, na água, em pistas de calhau ou de areia, já é uma grande aventura cheia de acontecimentos e pontos altos de grande adrenalina. Mas há também as surpresas, os imprevistos e a necessidade de ir sempre mais além do que inicialmente se previu realizar.

Assim acontece em todas as missões; o olhar atento dos voluntários capta facilmente todos os sinais de anomalias, necessidades imediatas de alguém numa condição especial de sofrimento --- e esse olhar é suficiente para que, de imediato, fiquem esquecidos compromissos, horários, comodidades.


Atinge-se as portas do deserto: a cidade de OUARZAZATE, confluência das antigas rotas comerciais, amalgama de culturas e credos e, talvez o maior centro de «trocas comerciais» da Africa do norte.



 Há que ter sempre tempo para confraternizar com estas gentes hospitaleiras, trocar bens para eles de primeira necessidade, por mais um cadeau, uma recordação… aquele punhal berbere para um amigo querido, a lâmpada de Aladino que nos vai fazer sonhar com génios e tesouros…

Todo o grupo se dirige para o grande «souk» absorvendo odores e cores, excitado com o misticismo do local e a alegre recepção dos vendilhões. Uma primeira aventura: atravessar a larga avenida fervilhante de viaturas de todos os tipos a uma velocidade inacreditável.

Mas

Está a passar-se qualquer coisa de anormal; há mais buzinas que as muitas já habituais, um desacelerar do trânsito e uma confusão quase ordeira diferente da também habitual.


No meio do pavimento das duas faixas descendentes algo se passa

Uma voluntária do grupo, alheada de toda a confusão, presta assistência a uma jovem nativa deitada no asfalto.  A sua presença cria como que uma muralha, deixam de se ouvir buzinas, o trânsito rola lentamente como que em respeito. 

A voluntária continua ajoelhada no chão junto à jovem, com ela comunicando e, estranhamente, fazendo-se entender. Consegue fazê-la soerguer-se, oferece-lhe um rebuçado, afaga-lhe o rosto inexpressivo. Aos poucos a jovem vai saindo da apatia, sorri para a voluntária.

De mãos agarradas as duas levantam-se do chão --- o trânsito, agora parado, deixa-as atingir em segurança os degraus da berma.  E aí se sentam as duas, tranquilas, sorridentes, comunicando sem falarem uma mesma linguagem mas, de olhos nos olhos, como irmãs estreitamente unidas por um sentimento de partilha e de amor.

Largos minutos passaram, aproxima-se uma familiar da jovem --- da jovem deficiente --- que tem ataques --- que por vezes não sabe quem é --- que por vezes não sabe o que faz --------- como usa dizer-se nestas paragens --- <Allaho akbar> .

<Hamdoullah > --- a nossa voluntária estava no local certo na hora exacta para, antes de todos nós, ouvir aquele grito silencioso de socorro e a ele responder, sem medo, sem limitações, com todo o amor que os voluntários têm para dar.


Todo o amor deixa rasto. A cena foi observada por dezenas de olhos também das gentes do souk. Um jovem nativo aproxima-se, cumprimenta respeitosamente a voluntária e entrega~lhe uma lâmpada de Aladino. Perante a surpresa o jovem argumenta: < cadeau para te lembrar sempre o dia de hoje - não esperes esfregar a lâmpada e que o génio te apareça... não... não aparece mas concretiza os teus desejos porque Allah recompensa >> 






FINALMENTE

Enquanto
Tivermos coragem
para viver África
vencer o trópico de Cancer


e
outros como nós preocupados em ajudar quem mais precisa nos ajudarem a ajudar
iremos sempre ao encontro




     



 destes e outros meninos que nos esperam confiantes num futuro menos agreste e 
de um desafiador deserto com todas as suas espantosas formas e seres






deserto onde sonhamos acordados, desmistificamos miragens, escutamos o silêncio e o halo do Siroco trazendo o espírito da grande duna e as lendas Sahauris

Aconteceu e isto foi há muitos anos, que duas poderosas famílias, os Zayed e os Atman, se odiavam de tal modo e o sangue de uns e de outros havia corrido tantas vezes que as suas roupas e mesmo o seu gado poderia ter-se tingido de vermelho para toda a vida. E sucedeu que tendo sido um jovem Atman o último a cair, estavam os Atman ansiosos por vingança.
Acontecia igualmente que entre as dunas, não longe do túmulo do santo Omar Ibraim, estava uma khaima dos Zayed, mas na qual já todos os homens tinham morrido e só era habitada por uma mãe e seu filho, que viviam tranquilos, já que até para aquelas famílias que tanto se odiavam, atacar uma mulher continuava a ser um acto indigno.
Mas uma noite apareceram os seus inimigos e depois de manietarem a pobre mãe que gemia e chorava, levaram o menino com o propósito de enterra-lo vivo numa das dunas.
Eram fortes as ligaduras, mas sabido é que nada é mais forte que o amor de mãe, e a mulher conseguiu rasga-las, mas quando saiu para o exterior já todos se tinham ido e não viu mais de que um infinito número de altas dunas, pelo que se lançou de uma a outra esgravatando aqui e ali, gemendo e chamando, sabendo que o seu filho estava quase a morrer asfixiado e ela era a única que o poderia salvar.
E assim a surpreendeu a alva.
E assim continuou um dia e outro, e outro porque a misericórdia de Allah lhe havia concedido o bem da loucura para que deste modo sofresse menos o não compreender quanta maldade existe nos homens.
E nunca mais se soube daquela infeliz mulher, e conta-se que de noite o seu espírito vagueia pelas dunas não longe da tumba do santo Omar Ibrahim, e ainda continua com a sua busca e os seus lamentos.
e certo deve isso ser, porque eu própria já me encontrei com ela 
ou, mais propriamente,
senti a sua presença numa noite em que já muito alta devia ir a lua, se não quisesse Allah que aquela fosse uma noite sem lua – quando me despertou um grito tão inumano que me deixou sem forças e encolhida tomada de pânico.
E em pânico estava quando de novo ouvi tão espantoso alarido e a este seguiram-se queixas e lamentações em tal número que julguei tratar-se de uma alma do inferno atravessando a terra com os seus uivos.
Nisto senti que esgravatavam na areia e pouco depois aquele ruído cessou para se ouvir mais além e desta forma o notei sucessivamente em cinco ou seis lugares diversos, ao mesmo tempo que os lamentos dilacerantes continuavam e o medo me mantinha encolhida e trémula.
Acabam aqui as minhas tribulações porque nesse momento ouvi uma respiração ofegante, atiravam-me punhados de areia à cara e que os meus antepassados me perdoem, mas confesso que senti um medo tão atroz que dei um salto

Acordei … estava na khaima onde, cedendo ao cansaço e ao calor me tinha proposto fazer uma tranquila sesta.





  Sahara grande Sul 2013 -7ª. Rapidinha -   21ª Expedição


http://www.hotelyasminamerzouga.com/hotel-morocco.html


Fatima de Khemilia c/ 4º filho

JP da TTT almoça com Fatima em Khemilia




 






























ALLAHU AKBAR ( Deus é grande. Louvado seja)

Deserto, as grandes dunas…
<< De um fôlego subo a grande duna 
respiro o ar cálido do imenso deserto 
ouço o silêncio das areias 
vejo morrer o sol no horizonte 

espírito da grande duna/ 
Sempre me mandas embora! 
Fica comigo na eternidade 
deixa-me formar uma nova duna 
ser parte do deserto que eu adoro 

eu quero, mas quero com muita força 
evolar na atmosfera 
aquela--- 
cálida e doce 
do deserto do meu pó » 


FIM (por agora)



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